Eu me sento e espero pelo entardecer. São momentos como esse em que vemos como é bela a vida. Em que outra hora veríamos o céu laranja? Durante o amanhecer, ele está vermelho, é quando o céu mostra as marcas da noite. Ao entardecer ele se arrepende pelos erros cometidos no dia. Agora está escurecendo, porém ainda é claro, posso ver os últimos raios de sol no horizonte. A noite está chegando, e o dia vai partindo. Porém, ao entardecer, eles param para conversar. Dois opostos convivendo em perfeita união. O entardecer é a hora mágica, é a hora em que renovamos a nossa esperança: por mais escuro que esteja, o sol há de nascer e iluminar meus caminhos, por isso, posso continuar.

Isabella Quaranta

domingo, outubro 25, 2009

À espera do entardecer - Capítulo 3: Surpresas


Hello people!
Bom, eu andei discutindo com algumas amigas, e decidi postar logo esse capítulo. Imaginar que daqui a no máximo 7 capítulos eu terei de dar um título, tá me assustando. Ah, esse cap. vai ter direito a desenho da Rebecca! *-* Outra coisa, não me matem ao terminarem esse capítulo. Ps.: EU SÓ POSTO O OUTRO MEDIANTE A COMENTÁRIOS ESCRITOS. Beijinhos, boa leitura.
 

 
Capítulo 3
cap. 3 - surpresas

Dor. Tudo dói. Tudo dói muito. Sono. Dor. Sono. Ai! Mais dor. Eu não sei o que é pior: esse sono miserável que não me deixa abrir o olho; ou se é essa dor que consome meu corpo e não me deixa mover um músculo sequer. Meu pai deve ter saído muito cedo, eu não tenho sinal dele. Vou tentar levantar, de qualquer jeito. Nem que tenha de quebrar algo. Nessa cama é que eu não fico.

Aaai, tudo dói muito, por demasiado.

Parece que está acontecendo uma terceira guerra mundial neste exato momento no meu corpo, ou talvez esteja sendo criado um novo universo dentro de mim e essa dor é o Big Bang expandindo alguns prótons e liberando minhas partículas sem que eu perceba, mas ao mesmo tempo eu sinto a dor. Se esse for o caso, o Sistema Solar do meu interior deve ficar próximo ao meu coração... e o buraco negro seria... Bom... Deixa prá lá.

Olho ao meu redor, procurando algum sinal de existência de vida humana (ou não) no perímetro. Encontro algo que não é vida humana, nem extraterrestre, na verdade, é um objeto branco, com forma retangular feita a partir de celulose, que aparenta ter, um conjunto de símbolos escritos em tinta negra da caneta do meu pai. Esse conjunto de símbolos forma palavras, ou seja, os símbolos são letras, feitas pelo meu pai, provavelmente. Junto da forma retangular que a sociedade convencionou com o nome de papel, tinha uma forma cilíndrica transparente com um líquido composto por várias moléculas de uma substância formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, unidos por pontes de hidrogênio, se não me falta memória, isso é conhecido como copo e a substância como água. E ao lado, duas aspirinas milimetricamente jogadas de qualquer jeito sobre o papel.

Pego as aspirinas e o copo, bebo todo o líquido dentro dele em um gole só, para forçar as aspirinas a entrarem no meu sistema digestivo e, após desintegrar no meu estômago, se espalhar pelo meu corpo e aliviar essas dores. Por que raios eu to falando de uma forma tão complexa?! Porque eu não podia dizer que: Na cabeceira da cama tinha uma carta do meu pai, água e aspirinas... Não sei o que está acontecendo comigo. Abro a carta e leio o que meu pai ausente me deixou de lembrança antes de sumir sem deixar explicações. De novo.

“Filho,

A dor é normal. Logo passará, faz parte do seu amadurecimento. Não estresse. Tome as aspirinas, talvez amenize a dor. Tenho três coisas importantes a lhe dizer. A primeira: Você está “sozinho” no hotel, a única outra pessoa presente está no quarto 2702, e eu gostaria que mais tarde você passasse lá e dissesse um oi - vai com tudo garanhão! A segunda: Conter os hormônios nessa idade é muito difícil, eu sei, mas você precisa ficar dentro do hotel o tempo todo e longe do sol. Acredite, não irá gostar de ficar ao sol. Caso queira ir pra piscina, vá para o “NS”, pelo elevador de serviço. Esse piso é exclusivo para cliente EVIP (extra very important person), é uma área sem sol. Toda a iluminação é artificial, mas parece muito natural. E por último: Nós não nos veremos mais hoje, espero que fique tudo bem e que você consiga sobreviver até amanhã.

Por favor, faça tudo que eu lhe disse, e NÃO VÁ PARA O SOL.

Com amor,

Papai

Pierre Lasteff.”

“A dor é normal”? Como assim? Se eu fosse o Silas ou até mesmo um masoquista de primeira, a dor até seria boa, ou normal. Mas eu sou Jean Patrick Lasteff, e não Silas, muito menos um masoquista, e a dor pra mim é dolorida. O que meu pai pensa que eu sou? Pra melhorar meu dia, meus sonhos vão se realizar (sarcasmo, por favor!): estou isolado totalmente do mundo com alguém que eu não conheço. O que mais me falta acontecer? Claro, só falta chegar um grupo de ETs e destruir a Terra antes de sabermos a resposta da pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais. Aí eu e o ser do 2702 vamos ser os únicos sobreviventes e teremos de vagar pelo universo com uma nave movida a motor de Improbabilidade Infinita.

Tomo uma das aspiras com um copo d’água. Tomo mais alguns copos compulsivamente, estou com mais sede que o normal. Acho que estou desidratado. Por que será que eu não posso ir para o sol? O que há de tão ruim para mim naquela estrela gigante que fica no centro do nosso universo? Será que eu sou um vampiro e vou virar pó? Bom, desde que eu não comece a brilhar... Só a um jeito de descobrir.

Encaminho-me rapidamente para a janela mais próxima. Cortinas. É isso que me separa da verdade. Vamos lá Jean Patrick, você consegue. Empurro um pouco uma cortina e... O QUÊ? Abro o resto e, para a minha decepção, as janelas estão pintadas de preto. Quando meu pai disse “Não vá para o sol”, ele falou sério. Que pai é esse que não confia em seu próprio filho? Estou começando a me sentir mal com isso. É como se ele achasse que eu ia ser uma criança mimada e birrenta e iria ignorar completamente o aviso dele!

Preciso de algo para jogar. Se ele acha que vou desistir fácil, engana-se. Há um vaso chinês ali. Nunca gostei de vasos chineses, são muito orientais. Deve servir. Pego-o e arremesso-o pela janela com toda a força que consigo reunir. E BANG! Hasta la vista janela. JP – 1 x Papai – 0. Através de um buraco enorme na janela vejo o sol! Ah, o sol, tão quente e inspirador. Devem ser dez horas. Que frescura, eu não virei pó, nem estou brilhando... O que tem de mais em ir para o sol?

Vou descer para comer algo. Estou faminto. Mas antes, vou ao banheiro escovar meus dentes. Vai que eu encontro no caminho o ser residente no 2702, tenho de estar preparado. Papai deve estar louc—co—co... O QUE É ISSO? – olho bem para minha cara no espelho do banheiro. Lavo meu rosto, para ter certeza de que é uma miragem. Por favor, que seja uma miragem e eu esteja louco.

Não, eu... eu... eu... EU SOU UMA GAROTA. Com direito a peito, bunda, lábios carnudos e tudo mais.

- Mas co— – eu ponho a mão na minha boca.

E com voz fina!! Isso só pode ser uma brincadeira. Deve haver câmeras escondidas em algum lugar por aqui.

- Tá bom, pai. Eu já sei que eu errei, mas pode parar com a brincadeira. – falo alto para ver se tenho alguma resposta. Espero um minuto para os caras da produção saírem de onde quer que eles esteja se escondendo.

Corro para outro espelho, pode ser uma pegadinha do meu pai. Testo três espelhos, todos mostram a mesma imagem. Uma morena de olhos verdes, lábios carnudos sedutores e um par de enormes tetas, escondidos atrás de uma blusa que – agora – é três vezes o meu tamanho.

Não pode ser. Eu virei um sapatão! Eu não posso ter virado uma garota?! E ainda mais, uma garota muito gostosa! Ainda sou um, uma morena alta, bonita e sensual... mas eu não sou a solução dos problemas de nenhum marmanjo por aí. Ainda tenho meus sedutores olhos verdes, só que agora eu tenho curvas, muito atraentes para ser sincero. Nossa, olha que peitos – apalpo esses volumes abaixo do meu pescoço. São enormes e macios.

Jean Patrick, controle seus hormônios!

Agora entendo o que meu pai quis me dizer em controlar-me e não ir para o sol. Meu pai... É isso! Vou ligar para ele... MAS QUE MERDA ESTÁ ACONTECENDO COMIGO? Pego o telefone e disco muito rápido para o celular do meu pai. Espero não ter errado nenhum número...

- Alô – ainda bem, é a voz do meu pai!

- Pai?! – digo desesperado.

- Ahn? Desculpe-me, querida, acho que você ligou para o número errado. Eu não tenho filha mulher. – maravilha, eu me esqueci da minha voz fina.

- Pai, sou eu, JP. – vergonha, muita humilhação.

- JP? VOCÊ FOI PARA O SOL? – ele parece uma mistura de surpreso com assustado.

Quer dizer que ele sabia que eu viraria uma mulher se fosse pro sol? Qual o problema de completar na carta: “P.S.: JP + Sol = virar mulher/JP versão mulher”? Seria bem mais simples!

- Bom... digamos que uma janela se quebrou acidentalmente com um vaso chinês suicida. – isso soou muito estranho. Essa foi, definitivamente, a pior explicação que eu poderia ter dado.

- Você viu a minha carta? – ele parece ignorar a pior desculpa já inventada, capaz de entrar no livro dos recordes.

- Vi... – mal consegui falar, meu pai continuou

- Então você reparou que eu ressaltei durante toda a carta: NÃO VÁ PARA O SOL! – agora eu tenho certeza que ele está irritado. – Faça exatamente como eu digo dessa vez.

- Tá.

- Vá até o banheiro e procure no armário um frasco escrito Smirtilo, com S na frente. Mastigue uma pílula e espere um pouco.

- Ok. – vou até o banheiro para pegar o tal do Smeagle ou o que for. O pote estava acima do antigo local do vaso suicida. Eu pego um pílula e mastigo com vontade. Por favor, que passe logo.

ERGH! Que gosto horrível! Melhor dizendo, horrível é pouco. Parece que eu estou mastigando naftalina – não que eu já tenha tentado fazer isso

-Ergh, pronto. – minha voz ainda está fina.

- Ótimo. Logo você voltará ao normal. Agora, não vá para o sol, me ouviu? – como se eu fosse ir para o sol depois de ter visto isso!

- Ouvi. – blábláblá, meu pai me da um sermão por telefone.

- E outra coisa – ele não consegue parar de falar – vá até o 2702 e se apresenta. Vocês terão de aprender a conviver. – e desligou antes que eu pudesse iniciar meu questionário.

É, acho que não tenho outra solução. Vou dar uma passada no 2702 e conhecer o ser ou o ET que vive lá.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Como pode tudo doer tanto? É como se um caminhão tivesse passado por cima de mim enquanto eu dormia. Uns 300 martelos não cessaram em bater na minha cabeça. Acho que acabo de descobrir partes do corpo humano que a ciência desconhecia até ontem. Ando pelo quarto em busca do meu pai. Sem sucesso, ele sumiu. Depois de um século procurando por algum sinal dele ou alguma carta, volto para cama. Do lado da cama, junto ao abajur, tinha um bilhete do meu pai direcionado para mim (óbvio). Eu normalmente não sou tão desatenta. Ao lado do bilhete tinha duas aspirinas e um copo de água com duas pedras de gelo.

“Anjo,

Sinto dizer-lhe que não a verei hoje. A dor logo passará, tome as aspirinas para acelerar o processo. Filha, eu não posso falar muito, o tempo é curto. Por favor, não vá para o sol em hipótese alguma. Qualquer coisa vá para o “NS”, pelo elevador de serviço, lá tem piscina e iluminação artificial que parece muito com a solar. Outra opção é você ir para o 2708, tem alguém lá que eu quero que você conheça. Desculpe-me se eu não falei muito, mas como já disse, o tempo é curto. Prometo lhe explicar tudo amanhã.

Beijos e todo o amor de seu pai,

David Laurevan.”

Como assim? Eu não posso ir para o sol? Ele está tentando me privar do prazer de um dia ensolarado em Paris? Não mesmo! Eu vou pro sol nem que eu tenha que quebrar tudo aqui dentro. Eu não tenho fotofobia, nem nada pra gostar do escuro. Por que será que eu não posso ir para o sol? Nunca irei descobrir se não me arriscar. Um dia me curiosidade ainda me trará problemas. Que não seja hoje, por favor. Em Londres o sol é meio cinza e só aparece uma ou duas vezes por ano! Em Paris é tão... tão... Laranja.

Vou até a janela e abro-a com vontade. Lá está ele, o sol! Com todo o seu esplendor brilhando e iluminando meu dia. Acho que vou mais tarde visitar a Torre Eiffel. O que pode haver de tão ruim para mim no sol? A Jenna que não gosta muito, ela sempre diminui de tamanho quando pega sol. Vou para o quarto assistir TV, se bem que a televisão francesa é um saco, pelo menos aqui pega canais internacionais.

- O QUE É ISSO? – falo, na verdade grito, quando passo na frente do espelho. Minha voz parece mais uma tentativa de ligar um carro velho. Eu estou rouca!

Não sei o que houve, mas o sol fez o efeito contrário com a Jenna, ela duplicou de tamanho, agora ela ocupa quase completamente minha bochecha esquerda! E o pior é que meu rosto tem rugas! Eu estou parecendo uma velha. Com direito a pregas, cabelos brancos e tudo mais. Putz, eu to uma mocréia! Tem gente que a idade fez bem (George Clooney, Johnny Depp, Brad Pitt, Bon Jovi, The Edge, etc.), comigo a idade foi má! Muito má! Eu to horrível! Tinha ouvido dizer que o sol ajuda a combater a velhice. E que o seu excesso acelerava o processo. Concordo que acelere o processo. Mas não o excesso, qualquer quantidade! Acho que devo estar no meio do buraco da camada de ozônio pra acelerar tanto assim. Vou entrar para um grupo de auxílio ao combate a poluição, eles podem me usar como exemplo. Mas aí teriam de fazer experiências de laboratório comigo, para ver se o sol era mesmo a causa do meu envelhecimento mais do que precoce. Não. Esquece essa ideia.

Acho que minha curiosidade foi um problema hoje. Pandora estava certa, a curiosidade liberta os maiores temores da humanidade. No meu caso, eu envelheci o que era pra ser um lento processo de 60 anos, em 60 segundos.

Escuto a campainha. O que eu faço? O que eu faço? Acho que vou desmaiar. OK. É melhor eu manter a calma, abrir a porta e agir como uma velhinha deve agir. Isso! Vou ser uma velhinha convincente. É isso que eu vou fazer. Respira. Respira...

- Já vai! – falo com aquela voz de carro velho enquanto me dirijo até a porta em passos de tartaruga com a perna quebrada usando bengala. É agora ou nunca. Paro na frente da porta, giro a chave e abro.

Aimeudeus! Esse não é o meu dia.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Capítulo reescrito e postado em 16 de julho de 2010

Siga para o capítulo 4 >>

2 comentários:

Patricia disse...

bibi se vc n postar o proximo cap logo, eu te mato ;(

Raphaela França disse...

[2]

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