Eu me sento e espero pelo entardecer. São momentos como esse em que vemos como é bela a vida. Em que outra hora veríamos o céu laranja? Durante o amanhecer, ele está vermelho, é quando o céu mostra as marcas da noite. Ao entardecer ele se arrepende pelos erros cometidos no dia. Agora está escurecendo, porém ainda é claro, posso ver os últimos raios de sol no horizonte. A noite está chegando, e o dia vai partindo. Porém, ao entardecer, eles param para conversar. Dois opostos convivendo em perfeita união. O entardecer é a hora mágica, é a hora em que renovamos a nossa esperança: por mais escuro que esteja, o sol há de nascer e iluminar meus caminhos, por isso, posso continuar.

Isabella Quaranta

Mostrando postagens com marcador À espera do entardecer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador À espera do entardecer. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, outubro 04, 2010

Vamos agitar as coisas

Finalmente, eu fiz o tão aclamado capítulo 14! Ele não está tão grande quanto eu pensei que ia ficar, decidi ser piedosa e dividí-lo. A questão é que nesse capítulo os problemas não são mais coisas simples de monstros "atacando" pessoas. Agora temos perseguições, tiros, e risco REAL de vida!

Foi um sufoco escrevê-lo. Vai demorar um pouquinho para eu postar em pdf e em e-book, então aguardem pacientemente.

capítulo 14 - perseguidos

quinta-feira, julho 15, 2010

À Espera do Entardecer – Capítulo 13: Sui Juris

Eu sei que é um milagre eu estar postando com esse título, mas UHUL! EU POSTEI!

Então, eu curti esse capítulo, mesmo achando que é um dos mais lentos fora os que eu conto a história de algo. Hey, nem sempre da pra ter ação. À partir do próximo que a coisa vai pegar. Então me deêm um crédito adiantado.

E aí, gostaram da nova cara do blog? Decidi deixar ele mais sei lá. Diferente. A imagem do topo foi um surto que eu curti pracas. Acho que até o fim do mês deve sair minha fic no FFOBS, estou dependendo da Beta pra isso, se você quiser que eu poste aqui com os nomes originais que foram pensados, eu posto. No FFOBS a fic será interativa, ou seja, você escolhe os personagens. Eu já sou leitora assídua deles então, se curtir ler fics, eu super indico!

Sobre os caps que estão reescritos, amanhã eu to postando sem falta. Aí na lateral do blog terá um nota sobre quais já foram atualizados, é só acompanhar.

Beijos, boa noite (ou o que for aí) e aproveitem esse cap. 

Capítulo 13capítulo 13

terça-feira, junho 29, 2010

Novas Fotos – À Espera do Entardecer e Insanes Manicômio

Bom, como fiquei sem internei durante dois dias, consegui arrumar tempo de fazer algumas montagens e escrever mais um pouco. Vou logo dizendo: MUDEI ALGUNS CAPÍTULOS do À Espera do Entardecer! Sim, eu vou avisar quando postar os capítulos que sofreram alteração.

Abaixo estão TODAS as fotos dos personagens de À Espera do Entardecer *todos leia-se: os que eu fiz*.  Clique nas imagens para ver em tamanho maior.

Amelie Gutenhein Demitrios Krastoff Derek Monte Gomery Enzo Cesare Fritzi Gutenhein Jason Scavanelli Jean Patrick Lasteff Kristine Bogans Luke Clanchett Michelle Satzvan Miranda Forson Nathan Holt Pablo Dominius Rebecca Laurevan Rute Marinho Zoey Barnely

 

Enquanto isso… no Insanes Manicômio:

Mirrage-OFICIAL Legend-OFICIAL Lionel-OFICIAL

Claro, ainda falta Dr. Farrell… isso é, se houver imagem dele.

segunda-feira, maio 24, 2010

À Espera do Entardecer - Capítulo 12: Sem volta

Eu disse que ia sair rápido! Eu terminei de escrever com EXATAMENTE um mês de espaço (podem olhar o capítulo passado como saiu dia 24 de abril). Como viram, eu ando trabalhando!

É importante eu comentar algumas coisas antes do capítulo:

  1. Estou de mudança, ou seja, vou ficar um tempo sem aparecer. Só não quando será.
  2. Eu re-re-re-refiz o final. Vocês não perdem por esperar
  3. AINDA tem muuuito o que acontecer, calma, não acaba amanhã.
  4. Eu to escrevendo um fic para uma amiga, o À Espera do Entardecer, o Insanes, tenho trabalhos do colégio, e outras coisinhas. Entoon, me dêem um crédito de tempo.
  5. Sim, o Insanes vai sair, só preciso digitar, mas tenho outras prioridades no momento. Ele virá com o tempo.

Acho que é só isso, aproveitem o capítulo, será bem importante no futuro (ou não).

domingo, maio 09, 2010

Sneak a Peak Capítulo 12

À Espera do EntardecerHey hey gente! Entoon, queria avisar que estou escrevendo o cap 12 – rápido não?! Mas como eu sou boazinha com vocês, decidi mostrar um pouco do que já escrevi. QUERO OPINIÕES!!!! Finalmente, vai começar a AÇÃO!!! A profecia começou a aparecer, logo, nossos 10 escolhidos terão de desvendar a profecia para receber os próximos passos.

Abaixo segue o início do capítulo – sujeito a alterações.

Beijos e aproveitem esse pouquinho de Capítulo 12.

sábado, abril 24, 2010

À Espera do Entardecer - Capítulo 11: Encontro

Podem gritar “Aleluia!”, eu estou de volta com Rebecca e JP. Eu sei que levei dois meses pra publicar esse novo cap, mas vejam pelo meu lado, eu queria algo especial, e a inspiração não queria aparecer. Aí quando ela veio durante um sonho, literalmente, foi tiro e queda: Terminei de escrever.

Comentários acerta do cap: Foi um dos que eu mais gostei de escrever. Você vão ver.  Dessa vez eu to deixando a capa aparecer no post, vai dar uma tensão maior.

Então… eu vou criar uma página com as fotos dos personagens. Um resumo sobre a vida deles será feito por uma amiga que acompanha a série e é quem escuta minhas ideias mirabolantes. Ela também é escritora e posta comigo no The Same Word With New Eyes, a Marília – ainda nem falei com ela.

Nesse capítulo teremos:

  • Rebecca toma uma atitude
  • Primeira aula de esgrima, magia e explicação do Livro da Profecia.
  • Outras coisinhas TENSAS!!

Quanto as capas, eu vou mudar bonito a maioria… depois eu vejo como vai ficar.

Nota: esse capítulo não foi revisado por outra pessoa, leia-se: pode haver erros. Então, qualquer coisa eu ajeito no futuro. Outra coisa, logo logo os capítulos (já definitivos e re-revisado) estarão disponíveis para download em PDF.

Beijos e aproveitem esse cap.

Cap 11 - Encontro

Capítulo 11

quinta-feira, março 18, 2010

Novidade a caminho - pra quem achava que a estória estava morta

Bem, eu sei que eu não ando atualizando o À Espera do Entardecer nem ameaçada de morte. Também entendo completamente essa vontade súbita dos leitores (se é que ainda existem) de saber o que vai acontecer. Mas eu prometo a vocês, vai sair. Eu só estou um pouco empacada com a narração de uma aula, mas acho que vou dar um jeito, enquanto isso, vou contar as novidades.
Então... eu estava meio que sem ter o que fazer, então decidi revirar meu quarto em busca de um envelope transparente, daqueles pra separar papel... Aííííí, achei um monte de papel reunido (grandes coisas), como estava sem ter o que fazer realmente, fui ver o que tinha nos papéis. 
Gente, vocês não sabem o que achei: Outra estória! 
Sério, eu tinha começado esse livro uns três anos atrás, aí acho que vou juntar com Rebecca e Jean Patrick. Agora teremos também: Mirrage, Legend e  Dr. Farrell. 
Gostaram?
Se gostaram ou não, tanto faz, vou postar do mesmo jeito. kkkk Não, sério gente, eu estou torcendo que gostem...
Eu ainda não criei um resumo, quando fizer isso, crio uma página no blog e disponibilizo o link :)
Dessa vez, eu imploro, comentem se gostaram da ideia. Um pelo menos marquem: Mara (aprovando a ideia) ou Chato (não gostando da ideia).

segunda-feira, março 08, 2010

Pedido de desculpas + outras coisinhas = NOTA IMPORTANTE


Atenção queridos leitores de À Espera do Entardecer.
Como vocês sabem muito bem, eu ando muito atrasada nas postagens de Rebecca e Jean Patrick, Prometo que é por um bom motivo… Na verdade, 2:

  1. Provas, trabalhos, tarefas, outros sites, enfim: super ocupada

  2. Necessidade de pesquisas e apronfundamentos em determinados assuntos, como magia, mitologia, história do século XVI e outros.
Diante dessas desculpas esfarrapadas vocês me perdoam? Obrigada (se a resposta foi sim). Poooooxa vida (se a resposta foi não).
Outro fato importantíssimo, vou criar uma página fixa no blog pra postar os personagens, então fiquem atentos… eu vou refazer algumas montagens.
Beijos, e não deixem de acompanhar o blog, as crônicas diversas eu sempre estarei atualizando.

sábado, fevereiro 20, 2010

À Espera do Entardecer - Capítulo 10: Recomeço

Oi gente!

A quanto séculos não?! Peço a vocês um milhão de desculpas pela demora! É que eu ando cuidando de outras coisas. Aproveitei o tempo para escrever uns outros textos pra cá! Amanhã mesmo eu posto um. Mas bem, eu postei! Finalmente eu consegui concluir e consegui que alguém betasse (lesse e me mostrasse erros). Acho que dessa vez ficou bom!

Beijos gente e até logo.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

À espera do entardecer – Capítulo 9: Novas histórias, novas vidas.

Podem gritar aleluia que eu to viva!

Eu posso até não estar tão ativa nas postagens, mas que eu to escrevendo to. Sério, nunca tive tantos problemas para escrever um capítulo. Estressei bonito pra fazer esse. Como sempre, antes do capítulo em si, temos o MEU momento, aquele que eu falo um pouco sobre a minha vida entre outras coisinhas.

Então é assim, essa uma semana e meia (03.01 – 13.01) foi uma correria só. O site do PotterNewsBR foi ao ar, e eu não sei mexer ainda (ponto pra mim), viajei ( o que me fez dar boas risadas.) e saí muito. Resumindo, vagabundei. Eu sei que tenho uma responsabilidade por aqui, mas eu merecia férias! Olhem pelo lado bom, já decidi o que vai rolar nos capítulo que vão vir.

De segunda pra cá eu li alguns muitos livros. Recomendo pra todo mundo Marcada. Simplesmente viciante, comecei a ler segunda de madrugada e terminei ontem a tarde. Já to lendo traída. O que me rendeu boas inspirações. Sobre a minha viagem, eu descobri que não sou um desastre completo no volante, mesmo que minha amiga tenha dito isso incansavelmente. Tudo bem, que a primeira vez que eu peguei no volante do mini bugre foi um desastre, mas depois que me acostumei, foi uma sensação de liberdade. Meu próximo teste vai ser quando eu conseguir quem me empreste um conversível… Se você tiver, e puder emprestar… ÓTIMO! Ah, não se esqueça de fazer um seguro que cobre PT (perda total)…

Alguns spoilers sem dizer muita (ou nada): eu já decidi com quem Rebecca vai terminar e prestem atenção para saber quem é que anda bagunçando o quarto dela.

Só pra eu não esquecer de avisar, vou reescrever alguns capítulos, assim melhorar o que já foi. Eu aviso quais eu fizer na próxima postagem. Como agora eu tenho tudo que eu quero definido, vai ficar melhor de colocar no caminho desde o início. Ok?

Acho que já falei de mais, então aqui vai o capítulo. Muito obrigada pela paciência e beijos. :*

capítulo 9 - novas histórias, novas vidas

Eu me sento na cama. Ainda estou tremendo.

Desde que me declarei para Rebecca e ela fugiu de mim, eu fiquei apavorado e comecei a tremer. Que coisa mais ridícula, EU, Jean Patrick, ficar tremendo por causa de uma garota. Nunca cogitei que isso fosse acontecer. Não fui à festa de iniciação, tudo que fiz foi vir para esse quarto, sentar nessa cama e pensar nela. Minha cabeça foi tomada pela lembrança de ter Rebecca em meus braços e seus lábios juntos aos meus e logo depois perder tudo isso.

Meu corpo todo sente o peso da minha decisão, sinto como se não houvesse nada ao meu redor, como se eu estivesse flutuando no vácuo. “Eu não posso”, essas palavras estão passando pela minha cabeça como uma sentença de morte. Eu estava ali, sentado, esperando o guarda me buscar para me levar para a cadeira elétrica. Escuto a maçaneta girar. Devem ser os carrascos. Eu estou pronto, poderia morrer agora, pois morreria feliz. O meu carrasco mostra sua cara finalmente, ele era branco com cabelos escuros. Meu carrasco se parece com Enzo. Eu tinha ouvido falar que nossa morte se parece com algo próximo a nós, algo que nos acalma. Se isso for verdade, essa morte era pra ser em forma de Rebecca. Espera um minutinho. Isso não é minha morte, ou nenhum carrasco. É o Enzo. Ele parece feliz, muito feliz.

- Hey hey! O que houve? Você parece tão bem! – pergunto sarcástico.

- Le nostre labbra toccato. E 'stato qualcosa di magico. La mia amata... Non vi è alcun motivo di essere triste. – ele respondeu em italiano.

Então é isso, ele também disse tudo que sente por Rebecca. Por isso que ela fugiu de mim, ela gosta dele também. Não importa, eu vou conquistar Rebecca para mim, não importa o que aconteça.

- Sei... Que bom! E o que ela disse? – pergunto morrendo de curiosidade.

- Bene, ela fugiu de mim... Disse que não podia – ele vacila na voz – por causas pessoais.

- Entendo... E o que você fez? – pergunto curioso, muito curioso.

- Prometi a ela brigar por seu amor.

Então, que seja assim, uma guerra. Eu quero ter Rebecca a qualquer custo, da mesma forma que Enzo. Algo me diz que ele sabe que sou um dos motivos para Rebecca o rejeitar naquele momento. Não tem problema, que venha um exército de alienígenas metamorfos com poderes sobrenaturais e raios lasers nos olhos me enfrentar. Não ligo. Tudo que quero é ter Rebecca para mim.

Depois de conversamos um pouco mais sobre como foi à iniciação (segundo Enzo, nada de mais, igual a todas as outras – tirando a minha, pois havia Rebecca nela). Por fim fomos dormir. Selando uma trégua temporária e nos prometendo não matar um ao outro durante esse tempo, mas isso não foi verbalizado. Não queríamos assumir que gostávamos da mesma garota que o melhor amigo.

No outro dia pela manhã, logo na minha primeira aula, recebo um recado por diretor por Amelie. O recado me parabenizava pelo meu bom desempenho no início do meu ano letivo (metade do ano letivo, na verdade) e me pedia para ir até a sala dele no horário da terceira aula. Ele não deixa claro o motivo do encontro, mas eu vou mesmo assim. Não quero contrariar um diretor que pode vir a tomar o controle da galáxia.

Dado o horário combinado, eu me dirijo até a sala no final do corredor mais afastado do colégio. No corredor vejo fotos dos diretores anteriores, todos parecem ter o mesmo ar de dominador galáctico. Acho que é uma qualidade pré-definida para ser diretor do St. Peter High School for Genius. Quando chego ao final do corredor vejo um vão redondo, com sofás e mesinhas, um tipo de sala de espera. Do lado oposto a todos essas coisas ficava a porta da sala dele. Em porta grande e imponente de mogno com detalhes em vários idiomas feitos em dourado. Parecia uma porta que me transportaria para outra dimensão. Possamos dizer que foi o que aconteceu.

Eu mal entrei na sala de espera, a grande porta de mogno se abriu. Eu tive o equivalente a três segundos para olhar a porta antes que aquilo acontecesse.

- Jean Patrick Lasteff? Descendente de Paddock? – perguntou uma velha de cabelos grisalhos parada na frente da porta de mogno.

- Co—co—Sim, sou eu. – respondo desistindo de perguntar como ela foi parar ali, a porta estava fechada novamente. Parece que eu pisquei e perdi tudo que aconteceu.

- O diretor o espera. – ela sai da frente e abre aquela porta enorme me mostrando o caminho.

Sem dizer nada, eu passo pela porta, ainda olhando desconfiado para tudo. Assim que entro, me sento na cadeira de frente a mesa onde era para estar o diretor. Como é de se esperar nesse colégio, o diretor não está lá.

- Olá, Jean Patrick. – diz uma voz grossa atrás de mm.

Eu me levanto e o cumprimento: - Olá.

- Não precisa ter medo. – ele diz com um risinho torto no canto da boca – Eu não sou um vilão galáctico e nem um carrasco.

- Co—co— - tento perguntar algo, mas ele não me deixa concluir a minha indagação.

- Há coisas muitas mais sombrias e desconhecidas nesse mundo afora que você pode imaginar. – ele diz então.

- Como bruxas, vampiros, monstros? – parece idiota a minha pergunta, mas é séria.

- Coisas mais obscuras, coisas nunca mensuradas ou que a sociedade tentou esconder. Por isso eu temo por vocês, méridoys.

- Vocês?

- Sim, eu já consegui quebrar a minha maldição. Por algum motivo o diretor nunca permanece como um méridoy.

- Estranho...

- Definitivamente, mas vamos ao que interessa. Todos os anos, um grupo de 10 alunos é escolhido para ir descobrir como acabar com a maldição. Isso você já deve saber. – ele me olha julgando.

- Sei sei.... Mas Enzo havia me dito que apenas os alunos do terceiro ano em diante poderiam fazer isso!

- E é verdade, mas esse ano nós abrimos uma exceção. Teremos um aluno do terceiro ano, um do quarto e os outros do primeiro. – eu o olho incrédulo – Eu sei que é arriscado, mas precisamos correr esse risco.

- Por que não colocar alunos de um ano mais avançado? Por que vocês têm de correr esse risco? Por que eu tenho de arriscar minha vida para isso? – eu me descontrolo, acho que exagerei um pouco.

- Jean Patrick, eu não estou lhe pedindo para fazer isso. Você e outros nove alunos VÃO fazer. O destino de vocês já foi traçado. Só depende de vocês mudarem o que vai ocorrer na viagem.

- O que vai ocorrer? Destino traçado? Como assim? Eu não to entendendo mais nada! Será que você poderia ser mais claro?

- Bom. Todos nós temos o nosso destino traçado ao nascer. O dos méridoys não é muito longo normalmente. Então é previsível as realizações deles durante a vida. – ele vai até a estante e pega um livro. – Aqui. O Livro do Destino mostra tudo que vai acontecer na sua vida, enquanto você for um méridoy. Os escolhidos para a missão são aqueles que o destino não aparece muito claro. Como o seu, por exemplo. Sabíamos que você ia vir para o colégio e conheceria Rebecca, mas depois disso – ele mostrou as páginas em branco do livro – não temos mais nada sobre você. Tudo que sabemos é o que já aconteceu. Você está tomando conta do seu destino.

- Quem são os outros nove? – pergunto sério.

- Você irá saber hoje, por volta das três da tarde. Venha até aqui nesse horário. Irei apresentar os 10 escolhidos.

- E se eu não vier? – pergunto atrevido.

- Você virá. – dito isso ele si vira e vai para uma sala atrás da sala dele.

Eu saio pela mesma porta que entrei. Olho para o relógio na parece de frente para mim. Meio dia. Vou para a cantina almoçar. No caminho um garoto loiro que eu não fazia ideia de quem era me parou.

- Você é que é Jean Patrick? – ele me perguntou.

- Sim, e você é? – digo meio assustado.

- Luke Clanchett. Entrei ontem no colégio.

- Seja bem vindo, Luke. O que você quer comigo? Ninguém me avisou que eu seria seu monitor nas primeiras semanas. Normalmente é o parceiro de quarto que lhe mostra o colégio, mas eu posso fazer isso se quiser.

- Não, obrigado. Já me mostraram o colégio. – ele olha mortalmente para mim. – Eu queria saber se você conhece Rebecca Laurevan.

- Conheço sim, ela fez iniciação comigo. Somos muito amigos. – pelo menos éramos.

- É sobre isso que eu quero falar – ele chega mais perto de mim – Não é nada pessoal, mas seria melhor pra você se não a visse mais. De preferência nem olhasse mais pra ela. Entendeu?

- E por que eu faria isso? – digo em tom muito, mas muito debochado.

- Porque eu sou capaz de fazer tudo para tê-la para mim. E se você não quiser sofrer conseqüências, é melhor escutar o meu conselho.

- Tudo bem. Mas eu sinto te informar que você não é o único que tem interesse em Rebecca.

- Então, teremos problemas. – ele faz como se fosse me dar um soco.

Por algum motivo, eu fui mais rápido que ele e desviei do soco que ele planejava me dar e dei um no seu queixo no lugar de apanhar. Ele cuspiu sangue e logo foi acudido por um grupo de garotos que não iam com a minha cara. Eu saí sem nem olhar para trás.

Eu precisava de alguma coisa muito forte agora. Não ia ser uma bebida que iria resolver. Eu queria poder ir ao sol. Sentir aquele calor natural esquentando a minha pele. Não me importaria de virar uma mulher agora. Eu só quero poder sentir essa liberdade. Poder esquecer de que eu tenho de viver na escuridão, imaginar que uma vez na vida eu sou normal. Tentar ver como é poder não ser o filho do ministro, o garoto especial, o herdeiro de Paddock. Ser simplesmente Jean Patrick. Não Lasteff, mas só JP. Eu vou fazer isso. Vou sentir como se nada pudesse entrar no meu caminho por alguns minutos.

Corro até o observatório astronômico, no alto da terceira torre do colégio. Normalmente essa sala só é aberta depois das onze horas, para que os casais possam admirar as estrelas, e outros alunos possam fazer seus trabalhos de astronomia. Mas há dias que ele não abre, pois o sol não desapareceu por completo. Não que hoje seja um dia que ela não vá abrir, mas agora, com toda certeza ela deve estar fechada. Afinal, é meio-dia. Não tenho esperanças de conseguir entrar lá, mas não custa tentar. Chegando à frente da porta da sala do observatório, eu giro a maçaneta. Por algum motivo hoje a sala está aberta e eu entro nela sem nenhuma dificuldade.

Estranho.

Aperto no botão para abrir o teto da sala. Lentamente consigo sentir os raios de sol tocar a minha pele. Sinto-me rejuvenescido. Tenho vontade de gritar de alegria. Essa sensação é ótima. Estou forte, estou alegre, estou feminino demais pro meu gosto... Lembro da única desvantagem do que eu acabei de fazer. Agora vou ter de ir para o almoço como uma mulher.

Não tem problema. Eu me sinto bem demais para deixar um detalhe me afetar.

No momento que eu entro na cantina vejo todos os olhares voltados para mim. Bem, voltados para o meu corpo perfeito e meus seios fartos, sem contar na minha bunda milimetricamente redonda e sensual. Agora eu entendo por que as garotas não gostam quando um monte de caras fica olhando pra elas e também entendo o que leva a algumas delas a adorarem essa sensação. Você se sente vulnerável, mas ao mesmo tempo poderosa. Todos aqueles bobões estão nos seus pés, é só dizer algumas palavras e eles são capazes de se matarem por você. O que eu to dizendo? Eu sou um menino, não quero outros caras babando por mim. Não até eu precisar de algo deles. Vejo Zoey correndo ao meu encontro, ela deve se apresentar para mim, como fez no dia que me conheceu. Adoro essa garota, ela é tão simpática e engraçada, é quase uma irmã para mim.

- Oi, JP! – disse ela quando parou na minha frente

Fiquei em estado de choque, como ela sabia que era eu? Essa garota tem algum poder sobre natural?

- Como você sabia que sou eu? – digo enquanto estamos indo para a mesa que costumamos sentar.

- Eu vejo a aura das pessoas. – ela diz na maior naturalidade e depois olha para mim. Eu a devolvo um olhar incrédulo. – Pode parecer estranho, mas é verdade. Cada pessoa tem uma áurea única. A sua é uma das mais brilhantes que eu conheço. A sua e daquela garota, Rebecca? É Rebecca. Vocês têm as auras mais iluminadas e brancas que eu já vi. Isso me inspira confiança. Eu não gosto daquela companheira de quarto de Rebecca, Michelle. A áurea dela é meio apagada. Isso não é um bom sinal. Mostra que ela é uma pessoa interesseira e falsa.

- A minha diz o quê? – eu chego mais perto dela, quase tocando os nossos narizes.

Ela não se afasta nem um milímetro nem parece intimidada com a minha proximidade. Simplesmente passa a falar baixo:

- Diz que você é uma pessoa confiável, boa, mas deve tomar cuidado com atitudes precipitadas. Principalmente quando está sob a forma de uma mulher. – ela então me afasta delicadamente.

Eu olho ao redor e todo mundo lá presente está olhando para a nossa mesa. Eles devem pensar que eu ia beijá-la ou algo assim. AAARG! Que horror, seria como beijar uma irmã! E eu tenho uma leve desconfiança que Zoey pense da mesma maneira.

Eu espero.

Decidimos matar as próximas aulas. Fomos para o quarto dela no alojamento feminino, como eu sou tecnicamente uma garota, não teve problema. Lá ficamos conversando até as três horas. Ela me conta que também foi chamada pelo diretor. Então dada à hora, vamos para o local combinado. Rimos durante todo o caminho comentando como os diretores sempre foram muito parecidos, incluindo que todos tinham cara de psicopatas. No final do corredor, ouvimos uma algazarra vinda da sala de espera. Devia haver umas 30 pessoas ali, ou mais. Consegui reconhecer algumas pessoas. Entre elas, Rebecca. Ela me olha no momento que eu chego. Parece um pouco espantada com a minha forma. Eu dou de ombros e rio torto para ela. Ela ri um pouco e vem na nossa direção.

- Eu vou deixá-los sozinhos. – disse Zoey quando vê Rebecca vindo para a nossa direção. – Juízo! – ela completa, já se afastando.

- Oi... – Rebecca diz quando chega. – Como devo chamá-lo quando você virar uma mulher?

Rimos da situação e eu respondo:

- Acho que Joanna seria ideal.

- Tudo bem, Joanna! E a que devo o prazer de sua companhia por aqui? – ela fala como se nada tivesse acontecido na noite anterior.

- O diretor me chamou, acho que vou levar uma bronca daquelas. – ela ri da minha cara de (des)preocupado

- Então estamos todos no mesmo barco. Enzo também está aqui. Ele disse que é estranho tantos alunos do primeiro ano sendo chamados para participar de uma reunião com o diretor. Eu disse a ele não nos subestimar só porque somos novos nisso daqui. – ela ri olhando para o chão.

- Rebecca, - eu assumo uma postura série que é estranha quando se está sobre uma forma feminina. – sobre ontem. Eu queria pedir desculpa se te apressei ou algo assim. Não quero perder sua amizade por nada.

- Tudo bem. Eu só quero que saiba que eu ainda não tomei nenhuma decisão, e não sei quando vou tomá-la. Eu gosto de você, Jean Patrick, muito, mas sinto que ainda não estou pronta para um compromisso sério desses.

- É por causa do Enzo e do Luke não é?! – digo indo direto ao ponto

- Também. Por favor, não me faça tomar uma decisão que eu não quero.

- Ok. Enquanto isso, só amigos?!

- Só amigos! – ela sorri – Os melhores!

Damos-nos um abraço e ela volta para as amigas dela do outro lado da sala. Eu ando a procura de Zoey. Reconheço outros rostos, como o de Enzo, Luke, Michelle e outras duas amigas de Rebecca. Tomei um susto quando vi Kristine e Jason, meus mentores.

- O que você fazem aqui? – pergunto a eles

- Ué?! – responde Kristine em tom jovial – Já virou mulher? Hahahaha Não conseguiu ficar longe do sol não é MOCINHA!

- Pare com isso Kristine. – disse Jason segurando a risada. – Jean Patrick, você deve ficar longe do sol. Você sabe disso!

- Sei, é que eu não pude controlar. Eu precisava daquilo.

- Entendo. – Jason parece realmente entender. – Mas não faça isso novamente.

Kristine solta uma risada tão alta e macabra que todo mundo se vira para olhar. Eu tento me esconder, mas parece que já fui visto. Demitrios vem em nossa direção.

- Parece que o jovem aqui teve alguns probleminhas com o sol. – ele coloca a mão no meu ombro.

- Não foi nada demais, eu só tenho de arrumar como voltar ao normal. – digo.

- Quando entrar na sala do diretor peça para ele lhe ajudar. Deve dá um jeito. – Demitrios conclui.

- Obrigada.

- Agora se vocês me dão licença, preciso conversar com Rebecca. Ver como andam as coisas por aqui.

- Claro. Vá, meu amigo. – Jason se despede de Demitrios.

Kristine ainda está tentando segurar o riso. Nessa altura, eu já estou pra perder a paciência com ela. Por sorte, Amelie aparece no exato momento que eu me aproximo para arrancar a cabeça da minha mentora bruxa de Blair e anuncia para nós entrarmos, SEM os mentores. Pelo menos uma boa notícia.

Entramos devagar, sem fazer muita algazarra. Lá dentro pude identificar todos os dez rostos presentes. Estávamos todos à espera do diretor. Eu (Joanna, no caso), Enzo, Rebecca, Michelle, Zoey, Rute, Miranda, Luke, Derek e Nathan, todos esperando um vilão intergaláctico entrar na sala. Sem demorar muito, ele entra e então pede para sentarmos nas cadeiras na frente dele. Sentamos na ordem que eu falei acima. Enzo me olhava como se nunca tivesse visto uma garota na vida. Principalmente depois que eu expliquei que Joanna era, na verdade, a versão feminina do seu melhor amigo, Jean Patrick, eu. Enzo ficou chocado com tudo isso. Depois do choque inicial ele ficou com brincadeirinhas pra cima de mim do tipo me chamando de gay ou de mulherzinha. E perguntou se eu já havia beijado um homem.

Francamente, Enzo não poderia ser mais infantil do que isso. Continuamos a conversar enquanto o diretor me preparava uma solução para eu voltar ao normal. Seria bom conversar com Enzo novamente como um garoto. Ignorando, claro, as brincadeiras que eu iria ouvir pelo resto da minha vida. O pior é que não posso zoar com Enzo pelo fato de ele virar um rato, pois pelo que vi, ele fica “fofo” e um monte de garotas gosta. Nunca vi garota gostar de rato, essa foi nova para mim.

- Aqui, Jean Patrick, beba tudo. – ele me estende um frasco de porcelana com um líquido verde borbulhante dentro.

Se ele espera que eu beba isso, está muito enganado. Eu olho para o diretor como se achasse que ele estava de brincadeira. Eu achava que ele estava de brincadeira, pra falar sério. Ele não responde apenas se senta em sua cadeira e espera que eu tome tudo. Luto comigo mesmo para beber toda aquela solução nojenta. Aquilo era Smeagle... Smirtilo... Sei lá qual era o nome daquele treco que meu pai me deu há dois meses... Era aquele treco esmagado coloca com água quente. Parece chá de naftalina. Não que eu tenha tomado alguma vez.

Todos na sala estão olhando para mim. Lentamente eu vou retomando meus traços masculinos. Finalmente, após 5 minutos, eu volto a ser um garoto. Isso é tão tranqüilizador. Olhos para os outros como se nada tivesse acontecido, alguns parecem surpresos com a minha transformação. Nathan, o garoto do quarto ano, estava especialmente surpreso. Presumo que ele já tenha visto muitas coisas na vida - ele já partiu uma vez em busca da cura, mas falhou e voltou para onde ele poderia se abrigar -, mas não deixou de ficar impressionado com a minha transformação. Não me importo o diretor também parece não se importar. Ele se vira para nós e fala como se nada tivesse acontecido.

- Boa tarde a todos. Espero que todos entendam bem inglês, pois aqui não será permitido a entrada de aparelhos tradutores. – ele repete essa frase em 10 idiomas, dos quais eu só identifiquei o italiano, russo, francês e espanhol.

Todos nós dissemos em uníssono e em um impecável inglês “sim”.

- Excelente. Então prestem atenção, o que tenho para explicar a vocês, pode ser de muito valor em um futuro próximo.

Todos nós o olhamos com total curiosidade, menos Derek. Ele parecia não se importar muito com o que estava por vir.

- Todos vocês sabem que a maldição foi resultante da sede de poder dos seus antepassados. Todos também devem saber que os descendentes deles vêem sofrendo as conseqüências desde então. – ele para por um minuto olhando para nós – Pois bem. Devo contar-lhes uma história que se passou décadas depois da maldição se concretizar. Quando os Lordes responsáveis já não vagavam mais entre nós.

Todos nós olhamos para ele curiosos. Pablo se levanta e pega dois grandes livros na estante. Não ousamos falar nada. Nathan aparentava estar ciente do que iria acontecer. Derek parecia não se importar nem um pouco. O resto de nós parecia que iria para a morte ou encontrar para resolver uma prova de química sem saber nada do assunto. Ou até mesmo viajar para os Estados Unidos junto com um terrorista no voo. Ou seja, estávamos apavorados.

- O que os pais de vocês ou mesmo os mentores não sabem é que foi descoberto algo mais forte que a maldição que pode acabar com essa. – todos nos mechemos nas cadeiras. Era impossível, fomos condenados ao nascer a sermos seres da escuridão. Ficou muito claro isso quando foi contada a nossa história. Pelo menos, era o que achávamos. Até mesmo Nathan parece surpreso ao ouvir isso. Pelo que parece, nem ele estava ciente dessa mudança.

– O que ocorreu – continuou Pablo - é que em 1551 o rei da Espanha, Filipe II foi contra tudo e todos de sua família e casou-se com a rainha da Inglaterra, Maria Tudor. Maria era muito impiedosa, de forma que tentou restabelecer o catolicismo como religião oficial da Inglaterra. Mais de 300 “hereges” foram mortos, o que deu a ela o codinome de Bloody Mary. O viúvo rei Filipe quando se casou com Maria, sabia de seu título de impiedosa e que ela era descendente de Catarina de Aragão, tia de seu antecessor, o Imperador Carlos V. Por esses motivos, ele passou a morar junto a Maria I, em Londres. Como era natural, ele levou alguns criados de sua corte na Espanha para a Inglaterra. A criadagem se relacionava muito bem, mesmo não falando o mesmo idioma. Para poderem conversar de forma que só os próprios criados poderiam entender eles criaram códigos de comunicação. Assim poderiam conversar e a ninguém saberia de que se tratavam as discussões. Tudo corria muito bem, até que uma das criadas espanholas, descendente de um antigo rei que caiu em desgraça e perdeu sua fortuna, apaixonou-se pelo filho do Lorde Paddock. Imaginem só como foi para a moça quando soube que o jovem lorde também estava interessado nela. Os dois cultivaram um amor secreto todas as noites, durante três meses. Foi então que a jovem curiosa perguntou a seu amado o motivo de eles não se verem durante o dia. “Tu não me amas o suficiente ou tens vergonha de mim por ser uma mera serviçal que nunca poderá lhe trazer ganhos na vida?”, ela perguntou a seu amado. “Não é nada disso minha doce flor.” Cameron, o filho de Lorde Paddock, tentou argumentar com sua amada sem contá-la seu segredo. “Se não é por vergonha, por que motivo seria? Conta-me agora, Cameron, ou nunca mais verás minha face neste país.” Ele tentou argumentar de todas as formas com a inflexível jovem, mas por fim, cedeu as suas súplicas e contou a ela sobre sua maldição. “Então é isso? Meu amado, dono do meu coração, prometo a ti que hei de descobrir como curar esse teu enfermo e então poderemos vagar juntos pela eternidade.” Dito isso a jovem partiu de volta para a Espanha, mesmo com todas as súplicas de seu amante, ela não desistiu da arriscada viagem. Foi até os confins de seu país até que consegui reunir informações o suficiente para quebrar a maldição.

Nós não acreditamos, nós estávamos inclinados na direção do diretor com os olhos arregalados e tomados pela aquela esperança de um dia voltar a ser normal. Era algo muito bom para ser cogitado e depois ficar em esquecimento. Senti como se não quiséssemos falhar no que quer que fosse pedido a nós. Pablo não nos deu tempo de verbalizar esses pensamentos, continuou a falar:

- Como sabem, ainda existe a maldição. Então é de se deduzir que algo falhou na missão da jovem apaixonada. Ela foi descoberta e sacrificada. – entramos em estado de choque. Todas as nossas esperanças se foram com a mesma facilidade que apareceram em nossos corações. Por que ele nos contaria uma história dessas para nos dar e depois tirar esse fio de esperança que nascia em nossos corações? Devia haver algo mais. Esperaríamos que ele concluísse para depois protestarmos sobre algo. – Só que sua morte não foi à toa. De alguma forma, ela conseguiu deixar sinais para os verdadeiros herdeiros dos lordes, principalmente de seu amado. – ele olhou para mim e para Zoey (acho). – Neste livro – ele pegou um grande livro de capa verde sem nada escrito nela e colocou em cima da mesa – vocês verão a profecia. Sim, a jovem mexia com magia, ela conseguiu outras pessoas que espalhassem suas pistas pelo mundo. À medida que vocês forem achando as soluções dos poemas ou charadas, nunca vi no livro, só os escolhidos conseguem ler, vocês irão recebendo novas e assim poderão encontrar a solução para o mistério. Aparentemente, é necessário um sacrifício. – ouviram-se suspiros de susto ou medo da sala – Não é nada certo, isso é o que os que conseguiram ler o livro, mas não tiveram sucesso em sua missão dizem. Espero que vocês não tenham o mesmo fim dos que falharam.

Ele para de falar por uns 10 segundos, que nos pareceram uma eternidade. Ninguém tinha coragem de suspirar um pouco mais alto nesse momento. Até o desinteressado Derek estava se mostrando bastante intrigado com tudo aquilo.

- Agora é com vocês. – ele nos olha mais compreensivo que antes – Conversarei com seus mentores sobre as novas aulas que vocês terão. Amanhã vocês receberão o novo horário. Entendam que vão trocar a noite pelo dia a partir de hoje. Então já para os seus quartos, quero todos às oito horas aqui. Estejam muito bem dispostos, não será nada fácil esse mês que vocês vão passar.

Ele nos dispensa. Saímos da sala sem falar nada. Cada um parte para seu dormitório sem conversar com ninguém. Até mesmo a enérgica Zoey não falou nada comigo, ela parece muito abalada. Talvez eu devesse falar com ela, mas não me sinto bem pra isso. Preciso dormir, foi muita informação para uma noite só.

 

Siga para o capítulo 10 >>

terça-feira, dezembro 22, 2009

À espera do entardecer – Capítulo 8: Rebecca, eu te amo.

Oiii a todos os que lêem. Eu sei que era pra eu ter postado ontem, é que não deu, aconteceu um imprevisto. Eu fiquei estressada com o capítulo, rasguei tudo que escrevi e comecei do zero. Fique escrevendo a madrugada toda. Mas acho que ficou bom. Contando um pouco da minha vida por aqui, eu decidi largar As 1001 noites. Realmente, estavam me dando sono. Então recorri a livros de mistério, preciso de inspiração para os novos capítulos. Ops, falei demais.

Pulando essa parte de que eu sou uma tagarela. Eu descobri que tem gente que lê isso daqui *-* é tão emocionante saber disso. Sério gente, eu quase choro. Ok, se querem me deixar feliz façam um comentário! O que custa clicar ali em baixo e dizer: “Oi, li e gostei” ou “Oi, li e não gostei, melhore isso, isso e isso.” Sempre que vocês dão uma opinião ajuda.Esqueçam o que eu disse e aproveitem o capítulo. Ah, só pra avisa, nesse capítulo não tem narração de Jean Patrick. Eu sei, é triste, mas Rebecca é o centro de tudo, afinal, o título é dela. Ainda estou devendo um post sobre a vida dela, como tem o de Jean Patrick, prometo fazer o quanto antes. Beijos.

Rebecca, eu te amo

Já se passaram dois meses que eu cheguei à França e também ao colégio St. Peter. Não parece que se passaram dois meses. Nesses dois meses muita coisa aconteceu. O colégio ainda me parece um mistério, tudo ainda é muito novo para mim. Eu conheci algumas pessoas nesse tempo. Entre elas algumas marcaram meus dias aqui.

Enzo eu conheci na iniciação, ele é um italiano de 17 anos, lindo de morrer, que conhece todo mundo por aqui, mas não larga de mim. Não que eu esteja reclamando, eu adoro isso. Ele é tão amoroso e atencioso comigo. Muito diferente de Jean Patrick, que não fala mais comigo desde a iniciação.

Eu também conheci Michelle, minha companheira de quanto. Ela tem 15 anos e é americana. Rute é uma brasileira que eu conheci durante uma aula de história, eu estava dormindo e o professor me fez uma pergunta, como eu não sabia responder comecei a gaguejar, para me salvar de dar um papinho com o diretor, Rute cochichou a resposta no meu ouvido (ela senta atrás de mim). Depois disso, ficamos muito amigas. Rute é quem me salva de só tirar zero em história, ela estuda comigo. Não, eu não copio a prova dela, tenho o mínimo de decência de me ferrar por conta própria de forma honesta. Ela era aspirante a modelo quando teve de vir para o St. Peter. Essa brasileira muito simpática consegue fazer com que todos os meninos do colégio façam o que ela quer com apenas um sorriso.

Miranda é a companheira de quarto de Rute, igualmente muito bonita. Ela é australiana, mas morou muito tempo na Ucrânia, ela é filha do maior empresário de lá, mas aí teve de se mudar e seu pai perdeu o contato com ela. Só tem uma coisa que sinto realmente pena de Miranda, ela é daquelas que se apaixona. Até aí tudo bem, afinal, eu também sou assim, como a maioria das pessoas, mas Miranda só cai de amores pelos caras errados. Ela me contou que teve uma época que ela era louca por um modelo que estava hospedado na casa de seu pai. Tiago, um romeno loiro, lindo, com corpo que mais parece uma escultura, olhos negros e um sorriso cativante. O problema é que ele é gay. Imagina a cara de Miranda quando soube, ela tinha acabado de se declarar para ele, então ele falou que não poderia ter nada com ela porque ele gosta de outra coisa. Coitadinha...

É meio-dia, eu estou sentada no pátio principal esperando por Enzo. Ele me encontrou no intervalo entre o segundo e o terceiro horário e pediu para eu esperá-lo aqui, nesse horário. Então, aqui estou. Esse pátio é interessante, a iluminação é toda artificial, assim como o céu, mas parece tão real, as nuvens até se mechem.

- Rebecca! – escuto a voz de Enzo me chamando.

- Enzo! – eu grito animada.

- Rebecca, eu estou muito feliz. – ele me abraça. Depois disso, eu também estou.

- Que ótimo! Conta logo. Estou curiosa.

- Lembra que eu te falei que eu queria viajar pelo mundo em busca de uma forma de curar esse nosso “problema”?

- Lembro sim! E que você só poderia fazer isso mediante a aprovação do diretor.

Como não lembrar? Ele fala disso desde que nos conhecemos. E pela cara e felicidade dele, sem contar o fato dele estar segurando a minha mão, algo muito bom aconteceu.

- Sì, sì! Eu acabei de voltar da sala do diretor! E adivinha? – ele dá uma pausa, dando um ar de suspense.

Ah não, ele foi falar com o vilão intergaláctico! Não pode ser. Ele vai ser expulso! O que ele fez pra isso? Ou ou... Ele vai ser enviado pro Havaí para limpar o interior de vulcões ativos! Existe essa profissão? Ou ele vai ser enviado para ser policial em Bagdá! Não, não! Eu não conseguiria viver sem ele. Não deve ser algo ruim, ele está tão animado!

- Calma Rebecca! – ele deve ter notado minha cara de desespero. – Ele me disse que estou entre os 10 escolhidos!

- Que maravilha! – eu o abraço bem forte.

Isso é tão ruim quanto o resto das coisas, eu vou perdê-lo. Ele vai partir para essa missão e eu nunca mais vou vê-lo. Contra a minha vontade, meu olho começa a lacrimejar. Pra piorar, Enzo nota:

- Amore mio, não se aflija logo. Eu só vou partir quando o grupo estiver completamente formado, temos tempo pela frente!!

- Não se ele formar o grupo amanhã!

- Eu sei, - ele diz passando a mão no meu rosto para enxugar as lágrimas – mas não se preocupe, prometo voltar a tempo do seu aniversário.

Eu não consigo responder, apenas o abraço novamente.

- Enzo! Caczo, venha logo! – alguém grita ao longe.

- Eu preciso ir, Rebecca. – dito isso ele da um beijo na minha testa e parte.

Eu olho ao redor para ver se não há ninguém vendo minha cena deplorável. Convenhamos, chorar por um cara que não é, nem de longe, meu namorado, me faz parecer uma babaca desesperada. Enxugo o resto das lágrimas e olho novamente em volta e os vejo sentados algumas mesas de distância do banco que estou.

Jean Patrick está aqui.

E com uma garota de cabelo rosa.

Não ia demorar muito para eu conhecer a vaca que o tirou de mim. Podia ter sido uma melhorzinha... Sinto uma vontade de socá-la, mas estou muito fraca para isso. Pera, eu tenho de me controlar, ela não o tirou de mim, ele nunca foi meu! O que eu to fazendo, poligamia nunca foi meu forte – infelizmente -, há segundos eu estava chorando por Enzo! Jean Patrick está me encarando, algo parece ter o irritado. De repente, ele se levanta e vem até o banco em que estou sentada, e se senta onde estava Enzo a menos de um minuto atrás.

- Olá estranho. – digo sorrindo sarcasticamente.

- Não me venha com essa de “estranho”. – ele não parece nada alegre, quase posso ver as chamas em seus olhos. – Você que não fala mais comigo, “estranha”, desde a iniciação!

- Eu? Você que só quer saber daquela ali de cabelo rosa. Não venha falar de mim, se você também não tentou me procurar!

Acho que se ele me estressar mais um pouco, eu sou capaz de matá-lo. Tenho vontade de dar uma tapa da cara dele e sair correndo chorando. Não! Eu sou forte, não vou dar esse gostinho a Jean Patrick.

- A Zoey? Ela é só uma amiga. Pelo menos ela conversa comigo. E você com Enzo? Pensa que eu não notei o clima entre você e o meu colega de quarto!

- O quê? Então é isso. – eu olho ao redor rindo sarcasticamente e depois o encaro – Você está com ciúmes!

- Ciúmes? – ele parece incrédulo, me engana que eu gosto.

- É isso mesmo, ciúmes! Você não suporta ver outro garoto conversando comigo.

- Garota, você ficou louca. Só por que a sua espinha desapareceu e seu cabelo está mais cacheado e mais bonito, você ta se achando o centro das atenções! Pois está muito enganada. Eu só... Eu só... – ele gagueja – Eu só gostaria de saber se um dia ainda vou ver aquela Rebecca que eu conheci no hotel. – ele da uma pausa e então fica sério – Porque essa daqui não tem nada haver com ela!

- Eu não tenho de ficar aqui aturando você! Se não gosta de mim como eu sou, não precisa mais ser meu amigo!

Eu me viro de uma vez e vou embora sem dizer mais nenhuma palavra. Calma, ele acabou de dizer que meu cabelo está mais bonito? E ele notou que estou sem a Jenna? Tá, isso é fácil de se notar! Será que ele fica reparando esses mínimos detalhes em mim? Rebecca Fosten Laurevan, afaste esses pensamentos felizes, você odeia Jean Patrick! A voz do pequeno ser que vive no meu inconsciente grita para mim e Plaft! Eu caio no chão. Claro, não reparei no degrau, e como era de se esperar, eu tropecei.

Não posso perder a pose.

Rapidamente, eu me levanto, bato a poeira da roupa, e saio andando como se nada tivesse acontecido. Péssima hora para cair. Jean Patrick deve estar rindo da minha cara. Por que essas coisas sempre acontecem comigo?

Eu vou para o quarto. Ainda tenho cinco aulas hoje, mas não vou para nenhuma. Três delas eu fico na mesma sala que Jean Patrick, e eu não pretendo olhar na cara dele tão cedo. Fico no quarto a tarde toda, aproveito para escolher a roupa da festa de iniciação, colocar minhas tarefas em dia e arrumar meu quarto. Essa vai ser a primeira iniciação que eu assisto. Pensando bem, acho que não vou. Jean Patrick vai estar lá, e eu não quero vê-lo de jeito nenhum.

Por volta de seis horas da tarde Michelle entra no quarto:

- Oi Becky! - diz Michelle. Ela não gosta de Becca, então me chama assim.

Michelle sempre foi muito simpática comigo desde que eu cheguei, mas ela não é alguém que eu contaria meus segredos. Sei lá, algo nela não me dá confiança.

- Oi Mikki. – eu continuo achando muito estranho chamá-la de Mikki.

- Nossa, que desânimo! Espero que isso passe até meia-noite. – ela diz super empolgada.

- Eu acho que não vou. – se está sonhando que vou para uma festa de arromba depois de ter visto Jean Patrick com aquela sirigaita de cabelos coloridos, está bem enganada Michelle Satzvan!

- Como não vai? Mas vai ser a primeira iniciação que você assiste! A primeira é inesquecível.

- Como foi a sua primeira? – pergunto testando-a.

- Er... Era... E faz dois meses que não temos uma festa! – ela muda de assunto do nada e começa uma tese demonstrando os motivos que eu tenho de ir para a festa.

No final, eu cedo. Como sempre. Eu preciso aprender a ser durona, como aqueles caras de filmes de ação. Não, eu não vou fazer isso, e se você insistir mais uma vez, eu te parto a cara.

- Tudo bem, tudo bem. Eu vou, mas só para a festa. Não vou assistir a iniciação – digo nada animada.

- Maravilha! E trate de melhorar essa cara de desânimo! Vá se arrumar logo. São nove horas e eu ainda tenho de me arrumar.

Uau. Passaram-se quase três horas desde que Michelle entrou no quarto e começou a falar. Não sei como ela ainda tem voz. Eu não sei o que ela tanto falou, juro que não reparei muita coisa. Eu entro no chuveiro. Enquanto isso, Michelle continua a falar comigo do lado de fora do banheiro. O mais engraçado em conversar com ela é o seu sotaque americano, muito diferente do meu. Tem vezes que eu me seguro para não rir enquanto ela fala.

- Eu fiquei sabendo que é um garoto que fará iniciação hoje. E QUE ELE É DE LONDRES! – ela fala a última frase mais alto, se certificando que eu ouvi.

- Sério, que ótimo! – tento ser simpática, mas pra falar a verdade, não estou com cabeça pra conversar com Michelle.

Eu não consigo parar de pensar no Enzo nem no Jean Patrick. Para não deixar nítida minha falta de interesse no que Michelle está falando, de vez em quando eu falo uns “uhuns” de compreensão.

- Eu vou apresentá-lo a você na festa. Não sei como, mas vou dar um jeito. – ela conclui quando eu desligo o chuveiro. Michelle parece decidida ao falar isso.

- Ótimo! – eu não faço à mínima ideia de quem ela está falando.

Quando saio do chuveiro, já pronta, falta só me maquiar, e isso eu vou fazer no quarto de Rute e Miranda, tínhamos combinado mais cedo.

- Eu vou lhe procurar na festa. Nem pense que conseguirá fugir de mim. – ela diz entrando no banheiro.

- Tá bom. – eu digo ao meio de um risinho.

Saio do quarto, assim que me viro após fechar a porta vejo Jean Patrick sentado em um dos bancos do corredor do alojamento feminino, o mais próximo do meu quarto. Como ele sabe que esse é o meu quarto? São 15 corredores no alojamento feminino, ele não pode ter simplesmente adivinhado.

- Rebecca. – ele se levanta.

Não acredito que ele está aqui, depois de tudo eu fez comigo! Ele deveria sentir vergonha em dizer o meu nome! Eu o olho com desprezo. Ele fica lindo de terno. FOCO! Pare de elogiá-lo mentalmente Rebecca! Tenha vergonha na cara.

- Você deve me odiar, ou não, mas eu preciso lhe falar isso. - Ele olha para o chão e depois olha em meus olhos. – Você estava certa. Sobre tudo. Eu estava morrendo de ciúmes.

Eu estou em choque. Não tenho palavras. Jean Patrick se aproxima de mim e pega na minha mão.

- Eu estou morrendo de ciúmes. Cada vez que Enzo lhe dá um beijo na mão ou na testa, cada vez que ele entra no quarto e diz o quanto você é bonita e como ele é louco por você. Cada vez que isso acontece, parece que meu coração está no centro de um ringue de boxe levando a pior. Rebecca, eu tentei ignorar, eu tentei fugir, eu me afastei de voCê, mas isso só foi pior. Rebecca, eu te amo. Eu te amo desde que dividimos aquele elevador no hotel. A cada dia que eu passo sem te ver ou sem poder ouvir a sua voz é como se o sol não tivesse nascido. Você é o sol que não me faz mal. Eu preciso de você, Rebecca. Eu te amo.

Então ele chega mais perto de mim e me beija nos lábios. Eu não consigo acreditar. Quer dizer que não o perdi. Mais do que isso, ele me ama! Eu estou me sentindo no céu, meu corpo todo sede e eu retribuo os beijos de Jean Patrick. Nada poderá nos impedir de ficar jun–.

- Não. Não. – eu me afasto de Jean Patrick e corro para o quarto de Rute e Miranda, que fica em outro corredor. Eu me identifico e elas abrem a porta. Eu entro ofegante.

- O que houve? – elas falam ao mesmo tempo.

- Eu não posso. Arf... Arf... Eu não posso.

- O quê? Conta logo! – fala Miranda.

Eu as explico tudo que houve desde meio-dia.

- E por que você não fica com o Jean Patrick? – Rute parece atordoada com a minha decisão.

- Porque eu amo Enzo! Bom, eu acho. Eu amo os dois. Eu não sei o que fazer!

- Amiga você vai ter de escolher. – Miranda conclui.

- Eu acho que não vou mais para a festa de iniciação, nem para a cerimônia. – digo.

- Para festa você vai sim! Nem que nós tenhamos de arrastá-la! Se der uma hora da manhã e você não estiver lá, eu venho aqui lhe buscar! – Rute parece falar sério.

- Que seja. Agora eu vou descansar um pouco, tenho de colocar as coisas no lugar.

Elas se despedem de mim e vão para a cerimônia. Eu fico no quarto delas pensando o que fazer da vida. Eu não posso ter os dois, é maldade com eles! Terei de escolher, mas eu gosto tanto de ambos... Ahh...

(N/A: se quiser que fique melhor essa parte, coloque para tocar Imbranato do Tiziano Ferro, eu escrevi ouvindo)

Meia noite e quarenta e cinco. Eu coloco meus sapatos e vou para a festa. Assim que entro no salão, Enzo me vê. Eu sorrio fraco para ele, que se aproxima e me puxa para o centro e começamos a dançar.

- Rebecca, eu preciso lhe dizer algo. – ele fala sério perto do meu ouvido, com um sussurro que me faria cair se ele não estivesse segurando minha cintura.

- Não pode ficar pra mais tarde não? – falo um pouco preocupada. Eu me sinto uma traidora em falar com Enzo depois do Episódio Jean Patrick no corredor.

- Não, tem de ser agora. A música é ideal para o momento – ele dá uma pausa, eu escuto o que toca, parece italiano. – Rebecca, lembra quando você desceu as escadas na sua iniciação? – eu aceno positivamente lembrando-me da minha quase queda – Desde aquele momento eu cheguei a conclusão que nunca mais veria ninguém mais bonita que você. Quando você tropeçou e caiu por cima de mim, eu tive certeza que só podia ser destino. Eu não falei isso antes por medo de você não sentir o mesmo por mim, mas quando eu te vi triste em saber da minha viagem eu tive certeza que era o momento. Como diz a música: Scusa se ti amo e se ci conosciamo da due mesi o poco più. Scusa se non parlo piano, ma se non urlo muoio. Non so se sai che ti amo. Scusami se rido, dall'imbarazzo cedo. Ti guardo fisso e tremo. All'idea di averti accanto e sentirmi tuo soltanto. E sono qui che parlo emozionato. E sono un imbranato! – eu não entendi bulhufas, mais sabia que era algo muito bonito. Acho que Enzo reparou que sou leiga em italiano, pois logo ele traduziu – Desculpa se te amo e se nos conhecemos há uns dois meses ou um pouco mais. Desculpa se não falo baixo, mas se não grito, morro. Não sei se sabe que te amo. Desculpa-me se rio, se me entrego ao embaraço. Olho fixo para ti e tremo. A ideia de te ter ao meu lado e sentir-me somente teu, estou aqui, e falo emocionado. E sou um atrapalhado. Rebecca Laurevan, descendente dos Griffith, ti amo.

Suas mãos sobem da minha cintura para a minha nuca, seus polegares brincam um pouco com a minha bochecha e ele me puxa para perto. Foi uma questão de segundos para que nossos corpos estivessem juntos assim como nossos lábios. Totalmente contra a minha vontade, minhas mãos criam vida e sobem para os cabelos de Enzo. São macios. Eu o amo, agora eu sei disso. Eu sempre o amei. O que eu to dizendo? Eu devo ser a pior pessoa do mundo todo!

- Eu não posso. – digo, afastando nossos rostos, ofegante.

- Por quê? Você não me ama Rebecca? O que eu fiz para não te merecer? – ele fala destruído por dentro, não consigo suportar isso. Rebecca Laurevan, você é a pior pessoa que já surgiu na Terra!

- Não é isso. Eu te amo Enzo, sou louca por você há muito tempo, desde que tropecei e caí por cima de você, eu acho. Mas...

- O que há de errado? – ele parece preocupado.

- É que eu também amo Jean Patrick. Eu não sei! Eu... Eu... – eu me sinto suja, um lixo. – Eu sou uma babaca.

- Entendo. – ele olha para o chão e depois me encara – Rebecca Laurevan saiba que enquanto eu viver, eu lutarei para ficar ao seu lado.

- Oh, Enzo! – eu o abraço, mas uma parte de mim quer se jogar na fogueira das meninas otárias que querem tudo e acabam não tendo nada.

- Rebecca, nem que eu tenha que desistir da minha viagem para ficar ao seu lado, eu farei!

- REBECCA! - escuto a voz de Michelle ao longe.

Eu olho para Enzo, ele acena como se me autorizasse a ir com ela e me beija na testa. Michelle chega e ignora Enzo:

- Venha, eu quero que você conheça alguém.

- Te vejo depois. E não desista de nada, ok? – digo para Enzo.

Eu vou com ela, mas antes, olho novamente para Enzo. Ele está me olhando, e me manda um beijo à distância.

- Quem é, Mikki? O novato?

- Aham, o londrino que eu prometi que ia te apresentar. Ele está ansioso para te conhecer! Ali está ele! – ela acena para ele.

Não. Não pode ser! Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto. Meu pai fez isso para me fazer confessar o beijo na bochecha que ele me deu. Mas que mal há nisso? Não! Qualquer um menos ele. Não! Luke Clanchett não! Por quê? Esse não é meu dia!

- Becca! – ele fala correndo em minha direção;

- Luke. – falo sem muita animação.

- Parece que vocês já se conhecem. Eu vou deixá-los conversando e vou andar um pouco.

Algo me diz que ela saiba de tudo.

- É tão bom te ver, Becca! – ele me diz – Você está linda!

- Obrigada. – falo, constrangida – É bom te ver também Luke.

Então começamos a conversar, na verdade, ele fala, eu ainda estou em choque com tudo que me aconteceu hoje. Quando me dou por mim, estamos no pátio principal, sentados. Noite. Esse é o único horário em que o sol do pátio principal é real, eles tiram a proteção para nós podermos admirar a lua. Hoje ela está cheia, linda como sempre.

- Eu achei que você fosse mais velho do que eu.

- Não, dois meses mais novo. – ele ri baixo. Estranhamente, há dois meses esse riso me faria tremer e chorar, mas agora, não sinto absolutamente nada. – Sabe Rebecca, tem algo que eu queria te dizer desde aquele dia no rinque de patinação. Eu liguei para sua casa várias vezes, mas me disseram que você tinha viajado com seu pai. Então, quando eu soube que viria para esse colégio, tive certeza que iria te perder. Mas, para você ver como é o destino, aqui está você!

- Luke, não pode ficar para de—

- Não. Tem de ser hoje, e agora. – ele chega mais perto de mim. Merda, merda, merda, merda. Tudo hoje?! – Rebecca, eu te amo.

Então ele me beija. Não preciso dizer aonde... Estou tendo uma sensação de Déjà vu. Parece que e já vi esse filme, pela terceira vez em menos de meia hora!

- Luke, - eu me afasto – olha, não vai dar certo. Muita coisa mudou desde que eu me mudei. Eu sempre gostei muito de você, mas agora existem outras pessoas na minha vida.

Eu corro indo embora.

- Rebecca Laurevan, eu vou brigar por você! – ele grita para mim.

Isso não pode estar certo. Não! Por que Luke tina de aparecer para bagunçar mais ainda o que já está ruim! Três declarações de três garotos que eu amei. Que eu amo – tá, dois que eu amo, um que eu amei. Eu corro para o meu quarto, agora que já sei o caminho fica mais fácil. Não demoro muito para chegar, abro a porta. Assim que entro reparo um vento frio. A janela estava aberta, eu a fecho. Viro-me para minha cama, ela está toda desarrumada, todo o meu lado do quarto está bagunçado. Estranho, eu arrumei tudo hoje. Depois eu vejo isso, afasto a bagunça da minha cama, troco de roupa de durmo. Não tenho mais cabeça para nada hoje.

x.x.x.x.x.x.x.

Capítulo reescrito e postado em 16 de julho 2010

Siga para o capítulo 9 >>

terça-feira, dezembro 15, 2009

À espera do entardecer – Capítulo 7: A iniciação

É uma da manhã, e cá estou, escrevendo… Oh vida tediosa… Bom, algumas coisinhas antes do capítulo. Eu desisti de ler Senhor dos Manés Anéis, parti para As 1001 noites. Isso, faz uma semana, esse capítulo não me deixou ler nada.

Desculpem-me pelo atraso, e aí vai o capítulo de presente pra você

P.S1.: Farei uma estorinha curtinha de natal de presente.

P.S2.: COMENTEM.


cap7 - a iniciação

Terno. Sinceramente, prefiro usar uma camisa de força a colocar um terno.

- Eu não vou usar isso. Sem chance! – falo para Enzo.

- Dio Santo! – diz Enzo enquanto termina de se arrumar. – Você tem que ir de terno. É a sua iniciação. É um dia muito especial, você completa 15 anos. Só eu tentei quebrar essa regra, e não deu muito certo.

Olhando por esse lado, eu posso abrir uma exceção.

- Além do mais, - ele continuou – é uma ótima oportunidade para impressionar as garotas.

Enzo pisca o olho para mim. Ele não tem jeito. Eu sabia. Tinha de ter outro motivo por trás disso. A única garota que eu gostaria de impressionar é Rebecca. E ela deve estar bem longe daqui.

- Vai logo, seu sciocco! – ele me dá um “soquinho” no ombro.

Ai! Ele deveria tentar controlar sua força. Acho que outro “soquinho” desses, ele conseguirá quebrar meu braço. Eu faço um esforço e me visto. Realmente, eu fico ótimo de terno. O problema é que eu não me sinto eu mesmo. Arrumadinho demais.

- O que acha? – mostro para Enzo, meio sem jeito, a roupa em mim. Estou parecendo o Ken da Barbie em dia de baile.

- Humm... Seu cabelo... Tá muito arrumadinho. – ele para de frente para mim – Deixa que eu dou um jeito.

Tenho medo. A primeira coisa que ele faz é bagunçar o meu cabelo. O que estava milimetricamente organizado passou a ficar completamente bagunçado. Depois ele abriu meu paletó e tirou minha gravata. E para completar... ele abriu minha camisa uns dois botões, de forma que eu pareço um modelo de propaganda de perfume.

- Pronto. Agora sim, você está vestido e arrumado adequadamente. – Enzo tenta me animar.

Eu me vejo no espelho e abro um largo sorriso. Esse sim, sou eu!

- Ah, não escute nada que a Amelie falar sobre sua roupa. – Enzo me diz quando repara na minha felicidade.

- Tudo bem.

Mal pronunciei essas palavras, ouço uma batida na porta.

- Monsieur Jean Patrick, já está pronto? – falou a doce voz de Amelie.

- Só um minuto. – eu grito em resposta, e me dirijo a Enzo: - Você vai agora?

- Claro que não! – ele me responde. – Eu só vou à meia-noite, quando começar o evento.

Eu aceno mostrando compreensão e saio do quarto.

- Até que em fim! – disse meu anjo de cabelos de fogo, com olhar mortal e impaciente, logo que eu fecho a porta.

Começamos a andar pelo corredor do alojamento. Eu olho para trás quando nos afastamos um pouco da porta. 190. Eu e Enzo estamos dividindo o quarto 190 do alojamento. Não demorou muito para chegarmos ao local onde será realizada a cerimônia de iniciação. Durante todo o percurso ela, Amelie, reclamou das minhas roupas. Eu segui o conselho de Enzo e fingi que não era comigo. Quando eu penso que o sermão acabou, ela retoma a voz.

- Está vendo aquela porta? – ela me mostra uma porta branca ao lado de uma longa escada. – Entre lá, pois meu marido estará lhe esperando para dar as instruções. Agora, Jean Patrick!

- Sim, senhora! – e vou até lá.

Eu estou quase chegando ao meu destino quando vejo uma distração. A distração mais bela e perfeita que eu podia imaginar. É ela, Rebecca. Aquela palavra ficou ecoando em minha mente. Rebecca. Rebecca. Eu tenho milhares de ideias, mas a que é mais forte me diz para gritar seu nome. Eu tenho. De novo. E de novo. A voz se nega a sair da minha garganta. Nossa, ela está deslumbrante! Azul marinho fica maravilhoso sobre sua pele muito branca. Acho que me apaixonei. Se não estivesse apaixonada antes, agora sei que estou. Eu não sei se ela me viu, mas, pelo menos, eu a vi. E ela está aqui, mais próxima do que eu poderia imaginar. Eu entro na porta, ainda meio bobo.

- Olá! – falou-me uma voz grossa, que vinha de um troglodita sentado numa poltrona no fundo da sala. – Você deve ser Jean Patrick.

Ele se levanta para me cumprimentar. Eu não reajo. Ainda estou meio abalado com a imagem de Rebecca... Linda... Deslumbrante... TLEC! Saio do devaneio com o estalar de dedos do troglodita.

- Oi? Terra chamando Jean Patrick!

- Ah, desculpe. Sou sim, prazer. – digo embaraçado.

- Eu me chamo Fritzi Gutenhein, o prazer é todo meu. – e ri de forma simpática.

Gutenhein... Eu já ouvi isso em algum lugar, acho que foi numa garrafa de cerveja.

- Então, - o troglodita diz – o que achou da minha esposa, Amelie?

Claro! Foi aí que eu ouvi. Espera. Esse cara é o marido do meu anjo de cabelos de fogo, da minha virgem dos cabelos esvoaçantes?! Eu não tenho a menor chance contra ele.

- Ah, ela é muito bonita, o senhor é um homem de sorte. – digo completamente embaraçado.

- Haha. Sou mesmo. Ela é muito bonita. – do nada ele me encara sério – Se você sonhar em tocar em um fio do cabelo dela, eu te parto a cara. Entendido?

Fico sem resposta. Estou tremendo. Os olhos dele pareciam que iam me matar. Medo. Ele ri diante do pavor estampado no meu rosto. Eu rio junto, para esconder o medo que meus olhos demonstram.

- Agora, deixe-me explicar como será a iniciação.

Ele fica falando por uns trinta minutos. Eu escuto tudo prestando atenção. Tenho medo que ele me mate caso contrário.

x.x.x.x.x.x.x.x.x.x

Eu estou à beira de um ataque de nervos. Isso não pode ser real! Mas quem seria tão mal a ponto de fazer isso comigo? Meu corpo todo está tremendo. Ele está aqui. Jean Patrick está aqui. Eu deveria ter gritado por ele. Talvez ele não tivesse me visto, por isso não falou comigo. Ou talvez, ele tenha me visto, mas preferiu me ignorar. Ele deve ter encontrado alguém melhor do que eu. Como fui boba, nunca que um garoto tão perfeito como Jean Patrick iria se interessar por alguém tão sem graça como eu. Ei, mas ele me trocou meio rápido! Que garoto galinha. Não, ele provavelmente não me viu. Ele deveria ter gritado. Mas espere, eu gritei! Bom, eu abri a boca e soltei o ar de forma a balançar as cordas vocais, mas não saiu som. Elas se negaram a sair do lugar e qualquer ruído que fosse, fizeram uma revolução momentânea. Mas porque que tinha de ser justamente quando eu o vi?! Eu deveria ter corrido até ele. Francamente, ainda bem que eu não fiz isso. Eu ia parecer uma desesperada! Imagine, eu, Rebecca Fosten Laurevan, divinamente deslumbrante, correndo com um salto de 10 cm atrás de um garoto. Nunca! Além do mais, se isso ocorresse, ia ser um desastre evidente.

O mínimo que aconteceria seria tropeçar e cair de cara no chão. Isso faria com que meu rosto ficasse achatado, mais do que já é, e quando eu subisse para receber o Oscar, quero dizer, fosse para a iniciação meu rosto iria parecer uma bolacha coberta de geléia de morango. Mas isso não importa, eu deveria ter feito algo... Eu não consigo me concentrar.

POR QUE ESSA MULHER ESTÁ ME ENCARANDO? Bom, “essa mulher” é a esposa do saradão do Fritzi. Ruiva de olhos claros. Minhas chances contra ela: 0% posso até cogitar um 100% negativo. Ela me dá medo. Faz 10 minutos que estou aqui, e ela, simplesmente, não falou nada! NADA! Acho que ela vai falar algo, ela está se mexendo na cadeira para poder ficar mais próxima de mim. E então, ela finalmente fala:

- Agora que os seus mentores chegaram, posso explicar a você como será a cerimônia. – ela olha para a porta, eu acompanho o seu olhar.

A porta se movimenta, abrindo; e entram na sala Demitrios e uma mulher. Ah... Demitrios. Meu mafioso consegue me arrancar suspiros toda vez que eu o vejo.

- Olá, Rebecca! – ele diz em tom simpático, muito diferente do apresentado junto aquela mesa de pôquer.

- Parece-me que vocês já se conhecem. – diz a ruiva curiosa.

- É uma longa história, Amelie. Depois lhe conto. – Demitrios responde-a.

Amelie, esse é o nome da bruxa ruiva.

- Esta é Carmela. – ela o ignora, e se dirige para mim.

- Olá, Rebecca! É um prazer lhe conhecer.

Diva. Essa é a melhor definição para Carmela. Acho que ela é latina ou espanhola. Ela é morena, com grandes olhos cor de âmbar, e um cabelo cacheado castanho, como o meu. Carmela deve ter algo com meu mafioso, ele não para de olhar para ela. Esqueci de mencionar que ela tem bunda e peitos fartos? Parece que está amamentando. Eu já perdi Jean Patrick, depois Fritzi e agora meu mafioso! Acho que vou me confessar com o padre Jason, talvez ele possa me consolar.

- Agora, que todos já foram devidamente apresentados, nós podemos explicar a Rebecca como será a cerimônia. – Amelie me encara séria e ordena: - Preste atenção.

- Tudo bem. – digo com um certo medo dela me espancar com uma régua.

- Você irá descer com Demitrios e Carmela uma escada e ir para o centro do ginásio. Lá, irá esperar pelo descendente de Paddock. Então irão se cumprimentar e seguirão para os locais das suas respectivas famílias. – ela dá uma pausa para eu absorver as informações e retoma a voz: - A sua família fica no segundo banco, ao lado direito da de Paddock, que fica no centro. Ao seu lado estará outra escada, por lá você irá descer quando for liberada a saída. Cuidado, todos os presentes no local saem ao mesmo tempo.

- Rebecca, - Carmela começa a falar antes que Amelie continue – lembre-se que você deve cumprimentá-lo com uma reverência, no estilo medieval, ele fará o mesmo.

- Sem problema. – tento parecer despreocupada.

- Ótimo! – a bruxa ruiva voltou a falar. Será que ela não consegue calar a boca. – Eu vou me arrumar, encontro vocês lá em cima.

Ainda bem. Distância dela é tudo que eu preciso.

- Vamos? – diz meu mafioso estendendo-me a mão e dando um meio sorriso. Já comentei que tenho uma tara louca em homens que dão o sorriso de um lado só, quase como se não fossem sorrir?! Pois é, eu tenho.

Eu sorrio e pego a sua mão. Estou tremendo. Eu e escada nunca nos demos bem, ainda mais com um salto de 10 cm. Entramos em um elevador que, estranhamente, não tem botões. Assim que nós três entramos, as portas se fecham e começamos a subir. Estranho, o elevador tem vontade própria. Ele para e abre as porta. Estamos em um corredor com fotos de homens e mulheres com roupas estranhas.

- São os antigos diretores do colégio. O atual, Pablo Dominius, ainda não tem sua foto aqui, só é posta depois que eles morrem. – Demitrios me explica.

Quer dizer que o protótipo de vilão intergaláctico é o diretor daqui... Tô bege!

- Agora temos de esperar Amelie e Fritzi nos chamar.

Foi só falar o nome dela, que Amelie aparece. Ela está fabulosa. Seu vestido é preto com um super decote e o cabelo vermelho solto. Começo a me achar mal vestida.

- Todos prontos? Podemos começar? – ela fala.

- Sim, vamos logo. Vou mandar uma mensagem para Fritzi. Carmela, mande aquele senhor avisar ao meu marido que iremos dar início a cerimônia.

Carmela faz o que Amelie pediu, e vai até o elevador avisar ao homem que lá está parado. Não me lembro dele ali antes. Esse dia está muito estranho. Olho para o grande relógio próximo as cortinas por onde vamos sair. É meia-noite em ponto. Parabéns para mim.

- Parabéns, Rebecca! – parabenizam-me Carmela, que acabou de voltar, e Demitrios.

- Obrigado.

- Chega de falar. – a bruxa ruiva voltou, eu ainda mato essa mulher. – Eu vou entrar agora, vocês esperem Fritzi chamá-los.

Ela sai antes que pudéssemos responder. Escuto sua voz vinda das caixas de som. Ouvi-la já é ruim, amplificado em uma caixa de som é muito pior.

- Boa noite a todos! – ela diz e todos aplaudem. – Estamos aqui reunidos para a última cerimônia de iniciação que será realizada este ano.

Então a voz do bonitão do Fritzi se destaca:

- Hoje nós temos dois novos alunos de duas famílias diferentes. Um Paddock e uma Griffith. Quero que dêem as boas vindas para Rebecca Laurevan!

- Vamos. – Demitrios cochicha para mim, ele e Carmela me dão a mão.

- Rebecca é descendente de Griffith – Fritzi continuou enquanto eu descia a escada – Ela tem como mentores Demitrios Krastoff e Carmela Vicheline.

Estava esperando ele falar meu peso, minha altura, e minhas características gerais, como em um leilão. Parecia que eu ia ser leiloada. Em minha cabeça, eu o ouvia pedindo um lance mínimo de 10 €. Eu fiquei tão distraída imaginando como seria esse leilão que tropecei no meu pé. Durante o meio segundo que eu permaneci em processo de queda, eu vi toda a humilhação diante dos meus olhos. Ao final desse meio segundo, eu senti os braços fortes de Demitrios em volta de mim. Ele me salvou. Meu herói. Quando eu voltei ao normal do meu estado de choque completo e momentâneo, eu olho para o lado, para ver se alguém viu meu tropeço. Lá está ele, parado no topo da escada, meu deus grego. Ele pode não ser mais meu, mas ainda é um deus grego.

- ...descendente de Paddock. – escuto Fritzi dizer – Ele tem como mentores Jason Scavanelli e Kristine Bogans.

Kristine? A bruxa mor?! Coitado. Mas devo admitir, ela fica até que bonitinha quando se arruma. Pelo menos meu padre está aqui, assim eu posso me confessar o quanto antes. O que eu estou dizendo? Finalmente, estou no chão. Demitrios solta a minha mão e indica para eu seguir para o centro do ginásio. Enquanto isso, Jean Patrick fazia o mesmo, e agora ela andava em minha direção.

- E agora, - disse Amelie – a valsa!

VALSA?! Como assim, valsa? Ôôô diretor, isso não tava no roteiro não. Eu não sei dançar valsa. E pela cara de pavor de Jean Patrick, ele também não sabe. Eu pego na mão dele, meu rosto está pegando fogo de vergonha. Nós nos cumprimentamos e ele estende a mão para mim. Não acredito que eu vou fazer isso. Não pode ser. Não na frente de tanta gente. Não na frente de Jean Patrick

- Você sabia disso? – ele me pergunta.

- Claro que não. – cochicho em resposta. Como se eu fosse estar aqui se soubesse de algo!

- É bom lhe ver de novo. – ah, esse sorriso de Jean Patrick tira o meu fôlego.

- É. Eu digo o mesmo.

Vergonha. Vergonha. Muita vergonha. Ele me ama, só pode ser. Ou talvez ele só me ache uma grande amiga que fala o dia em que menstrua para um garoto. A música para de tocar e todos aplaudem. Nós nos cumprimentamos novamente e cada um parte para a sua família. Acontecem mais algumas apresentações artísticas e é apresentado o calendário do início do semestre. Após isso somos todos liberados para festa.

Logo na saída do ginásio, na descida da escada, eu tropeço, novamente, e caio por cima de um garoto.

- Desculpe-me. – digo enquanto ele me ajuda a levantar.

- Não precisa se desculpar. – ele diz se virando para mim. Quando seu olhar se encontra com o meu, ele abre um grande sorriso que faz minhas estruturas se abalarem – Meu nome é Enzo.

Uau, ele é bonito. Tão lindo quanto Luke Clanchett. Ou mais. Realmente, mais. BEM MAIS! Ele é quase que inexplicavelmente impossível de existir. Se houver alguém em um plano superior, decidiu pegar toda a beleza do mundo e jogar em uma só pessoa.

- Eu sou Rebecca. – tento ao máximo fazer minha voz não soar como uma louca que acabou de cair de um precipício por um cara.

- Você estava maravilhosa lá em cima. Eri bellissima! – ele estende a mão para mim - Se importaria de me acompanhar até a festa? – que olhos sedutores, não há como dizer não para esses olhos.

- Claro, será uma honra. – sorrio abobada vendo o sorriso animado dele.

Ele é tão simpático. Conversamos bastante, mas eu tomo cuidado para não me empolgar e começar a falar demais. Eu já cometi esse erro uma vez, e perdi o coitado que escutou, não vou fazer isso de novo. Dessa vez, esse não me escapa. Fico o caminho todo o ouvindo falar de como é legal o colégio e como eu vou gostar daqui. Se eu tiver você do meu lado todo dia, acho que posso viver eternamente sem ver a luz do sol.

- Gostaria de dançar? – ele me pergunta me mostrando a pista.

- Eu não sei dançar. – digo meio envergonhada.

- Vamos, é só balançar o corpo sem sair do lugar ao ritmo da música.

- Tudo bem. – ele me leva para dançar.

Conversamos mais um pouco depois da minha tentativa frustrada de dançar. Ele é italiano, tem 17 anos, está aqui desde os 15, como todo mundo, e mal vê o momento em que ele será encarregado de partir para descobrir como quebrar a maldição e se vingar do traidor. Que heróico.

Meus músculos não suportam mais a pressão e me imploram um descanso. Porém, minha cabeça está a mil querendo ficar para todo o sempre ao lado desse italiano gostoso que eu conheço há quase duas horas.

- Acho que vou indo, estou cansada. Foi ótimo ter a sua companhia. – digo.

Ele pega a minha mão e dá um beijo nela. Eu me derreto por completo.

- Tudo bem. Foi um prazer conhecê-la Rebecca. Tenho certeza que vou vê-la mais vezes. Ciao.

- Ciao. – digo

Eu sorrio e saio. Acabei de ter certeza que eu morri naquele avião, eu suspeitava disso quando realizei que Luke tinha me dado um beijo na bochecha (DIREITA) mais cedo e depois que embarquei conheci Jean Patrick, Jason e Demitrios, tudo no mesmo dia. Se minha teoria estiver certa, eu devo estar no paraíso, do contrário, não haveria tantos anjos e deuses gregos. Eu estou andando pelos corredores e, busca do quarto 360. Ainda não vi nem Michelle, nem Jean Patrick. Amanhã eu vejo isso, estou muito cansada para racionar. Do nada eu encontro o corredor em que Fritzi havia me levado da primeira vez, vou andando por ele, até que chegar ao número 360.

Paro diante da porta. Coloco meu dedo no identificador de digital na frente da maçaneta. A porta é destravada. Então eu escuto um som vindo de dentro do quarto. Deve ser Michelle. Um barulho de vidro quebrando chama minha atenção. Eu entro no quarto. Ninguém, tudo parece normal de início, fora a janela quebrada. Eu olho para o resto do quarto. Alguém entrou aqui e revirou tudo nas minhas coisas. Eu arrumo tudo e me deito para dormir, meu dia foi muito perfeito para me preocupar com essa besteira. Amanhã eu me importo com o que aconteceu aqui. Ou um dia, quem sabe.

x.x.x.x.x.x.x.x

Droga! Eu perdi Rebecca de vista. Onde será que ela foi parar? Eu me sento em um sofá próximo ao bar. Se eu vir Rebecca, eu vou gritar. Preciso falar com ela, não sei o que vou dizer, só quero ouvir sua voz por mais um tempo. Desde quando eu sou assim? Me importo com as pessoas e quero saber delas e de como estão. Acho que preciso de algo para beber. Peço uma água. Não se passam cinco minutos que volto do balcão do bar e uma estranha garota de cabelo rosa senta-se ao meu lado.

- Oi, meu nome é Zoey - ela fala sentando-se como se fossemos velhos amigos, e eu simplesmente não tivesse a reconhecido. – Você deve ser Jean Patrick. É um prazer conhecê-lo.

Estou sem palavras. Ela espera eu responder, mas como a resposta não veio, ela continua a falar sobre a sua vida.

- Eu tenho 15 anos, como você, minha iniciação foi no dia 13 de março e por acaso caiu em uma sexta-feira. O mais interessante é que eu estou aqui desde os nove anos, meus pais adotivos viajaram e me deixaram aqui. Eu não me importo. Gosto desse lugar. Eu sou americana.

Por um milagre ela dá uma pausa, já estava chocado como ela conseguiu falar tantas palavras, tão rápido. Eu estou confuso. Por que será que as mulheres falam tanto? Após uma pausa para pegar ar, ela continua.

- Eu também sou Paddock, parece que é por parte de pai. Não se preocupe, não somos parentes, só temos um ancestral em comum. Quando eu pego sol, eu viro um corvo. E você?

Tenho vergonha de responder, mas algo me diz que posso confiar nela.

- Eu viro uma mulher. – sinto meu rosto queimar igual pimenta.

- Ah. – ela abafa um risinho. – Fale mais sobre você, Jean Patrick, descendente de Paddock. Sabia que somos os únicos? Normalmente, os descendentes de Paddock são assassinados antes de completarem 15 anos, principalmente se forem gêmeos.

- Que estranho, mas eu sou filho único. – digo interessado.

- Deve ser por isso que ainda está vivo.

- Por que “principalmente se forem gêmeos”?

- Não sei. – ela olha para o teto como se buscasse respostas – Deve ter algo haver com a profecia antiga. Não que vá ser igual para todo mundo. Sempre muda. Depende dos 10 escolhidos, para cada grupo, instruções diferente para levar aos mesmos lugares.

Ela é muito macabra, ela falou tudo isso como se fosse completamente normal. Mas algo me diz que seremos bons amigos. Ela insiste que eu fale sobre mim. Então mudamos de assunto e eu cedo a sua vontade. Do nada, ela se levanta:

- Boa noite, Jean Patrick. Eu preciso ir.

- Por quê? Foi algo que eu disse?

- Não, são duas e meia da manhã. Era pra eu estar dormindo desde duas e dezessete. – ela se vira e vai embora.

Garota estranha. Duas e dezessete? Por que não duas e vinte?

Acho que vou fazer os mesmo. Vou até o meu quarto. Quando chego, coloco o polegar no leitor da maçaneta e abro o quarto. Fecho a janela, que estava aberta. Tiro o paletó deito na cama e durmo.

x.x.x.x.x.x

Capítulo reescrito e postado em 16 de julho de 2010

Siga para o próximo capítulo >>

Related Posts with Thumbnails