Eu me sento e espero pelo entardecer. São momentos como esse em que vemos como é bela a vida. Em que outra hora veríamos o céu laranja? Durante o amanhecer, ele está vermelho, é quando o céu mostra as marcas da noite. Ao entardecer ele se arrepende pelos erros cometidos no dia. Agora está escurecendo, porém ainda é claro, posso ver os últimos raios de sol no horizonte. A noite está chegando, e o dia vai partindo. Porém, ao entardecer, eles param para conversar. Dois opostos convivendo em perfeita união. O entardecer é a hora mágica, é a hora em que renovamos a nossa esperança: por mais escuro que esteja, o sol há de nascer e iluminar meus caminhos, por isso, posso continuar.

Isabella Quaranta

quarta-feira, janeiro 13, 2010

À espera do entardecer – Capítulo 9: Novas histórias, novas vidas.

Podem gritar aleluia que eu to viva!

Eu posso até não estar tão ativa nas postagens, mas que eu to escrevendo to. Sério, nunca tive tantos problemas para escrever um capítulo. Estressei bonito pra fazer esse. Como sempre, antes do capítulo em si, temos o MEU momento, aquele que eu falo um pouco sobre a minha vida entre outras coisinhas.

Então é assim, essa uma semana e meia (03.01 – 13.01) foi uma correria só. O site do PotterNewsBR foi ao ar, e eu não sei mexer ainda (ponto pra mim), viajei ( o que me fez dar boas risadas.) e saí muito. Resumindo, vagabundei. Eu sei que tenho uma responsabilidade por aqui, mas eu merecia férias! Olhem pelo lado bom, já decidi o que vai rolar nos capítulo que vão vir.

De segunda pra cá eu li alguns muitos livros. Recomendo pra todo mundo Marcada. Simplesmente viciante, comecei a ler segunda de madrugada e terminei ontem a tarde. Já to lendo traída. O que me rendeu boas inspirações. Sobre a minha viagem, eu descobri que não sou um desastre completo no volante, mesmo que minha amiga tenha dito isso incansavelmente. Tudo bem, que a primeira vez que eu peguei no volante do mini bugre foi um desastre, mas depois que me acostumei, foi uma sensação de liberdade. Meu próximo teste vai ser quando eu conseguir quem me empreste um conversível… Se você tiver, e puder emprestar… ÓTIMO! Ah, não se esqueça de fazer um seguro que cobre PT (perda total)…

Alguns spoilers sem dizer muita (ou nada): eu já decidi com quem Rebecca vai terminar e prestem atenção para saber quem é que anda bagunçando o quarto dela.

Só pra eu não esquecer de avisar, vou reescrever alguns capítulos, assim melhorar o que já foi. Eu aviso quais eu fizer na próxima postagem. Como agora eu tenho tudo que eu quero definido, vai ficar melhor de colocar no caminho desde o início. Ok?

Acho que já falei de mais, então aqui vai o capítulo. Muito obrigada pela paciência e beijos. :*

capítulo 9 - novas histórias, novas vidas

Eu me sento na cama. Ainda estou tremendo.

Desde que me declarei para Rebecca e ela fugiu de mim, eu fiquei apavorado e comecei a tremer. Que coisa mais ridícula, EU, Jean Patrick, ficar tremendo por causa de uma garota. Nunca cogitei que isso fosse acontecer. Não fui à festa de iniciação, tudo que fiz foi vir para esse quarto, sentar nessa cama e pensar nela. Minha cabeça foi tomada pela lembrança de ter Rebecca em meus braços e seus lábios juntos aos meus e logo depois perder tudo isso.

Meu corpo todo sente o peso da minha decisão, sinto como se não houvesse nada ao meu redor, como se eu estivesse flutuando no vácuo. “Eu não posso”, essas palavras estão passando pela minha cabeça como uma sentença de morte. Eu estava ali, sentado, esperando o guarda me buscar para me levar para a cadeira elétrica. Escuto a maçaneta girar. Devem ser os carrascos. Eu estou pronto, poderia morrer agora, pois morreria feliz. O meu carrasco mostra sua cara finalmente, ele era branco com cabelos escuros. Meu carrasco se parece com Enzo. Eu tinha ouvido falar que nossa morte se parece com algo próximo a nós, algo que nos acalma. Se isso for verdade, essa morte era pra ser em forma de Rebecca. Espera um minutinho. Isso não é minha morte, ou nenhum carrasco. É o Enzo. Ele parece feliz, muito feliz.

- Hey hey! O que houve? Você parece tão bem! – pergunto sarcástico.

- Le nostre labbra toccato. E 'stato qualcosa di magico. La mia amata... Non vi è alcun motivo di essere triste. – ele respondeu em italiano.

Então é isso, ele também disse tudo que sente por Rebecca. Por isso que ela fugiu de mim, ela gosta dele também. Não importa, eu vou conquistar Rebecca para mim, não importa o que aconteça.

- Sei... Que bom! E o que ela disse? – pergunto morrendo de curiosidade.

- Bene, ela fugiu de mim... Disse que não podia – ele vacila na voz – por causas pessoais.

- Entendo... E o que você fez? – pergunto curioso, muito curioso.

- Prometi a ela brigar por seu amor.

Então, que seja assim, uma guerra. Eu quero ter Rebecca a qualquer custo, da mesma forma que Enzo. Algo me diz que ele sabe que sou um dos motivos para Rebecca o rejeitar naquele momento. Não tem problema, que venha um exército de alienígenas metamorfos com poderes sobrenaturais e raios lasers nos olhos me enfrentar. Não ligo. Tudo que quero é ter Rebecca para mim.

Depois de conversamos um pouco mais sobre como foi à iniciação (segundo Enzo, nada de mais, igual a todas as outras – tirando a minha, pois havia Rebecca nela). Por fim fomos dormir. Selando uma trégua temporária e nos prometendo não matar um ao outro durante esse tempo, mas isso não foi verbalizado. Não queríamos assumir que gostávamos da mesma garota que o melhor amigo.

No outro dia pela manhã, logo na minha primeira aula, recebo um recado por diretor por Amelie. O recado me parabenizava pelo meu bom desempenho no início do meu ano letivo (metade do ano letivo, na verdade) e me pedia para ir até a sala dele no horário da terceira aula. Ele não deixa claro o motivo do encontro, mas eu vou mesmo assim. Não quero contrariar um diretor que pode vir a tomar o controle da galáxia.

Dado o horário combinado, eu me dirijo até a sala no final do corredor mais afastado do colégio. No corredor vejo fotos dos diretores anteriores, todos parecem ter o mesmo ar de dominador galáctico. Acho que é uma qualidade pré-definida para ser diretor do St. Peter High School for Genius. Quando chego ao final do corredor vejo um vão redondo, com sofás e mesinhas, um tipo de sala de espera. Do lado oposto a todos essas coisas ficava a porta da sala dele. Em porta grande e imponente de mogno com detalhes em vários idiomas feitos em dourado. Parecia uma porta que me transportaria para outra dimensão. Possamos dizer que foi o que aconteceu.

Eu mal entrei na sala de espera, a grande porta de mogno se abriu. Eu tive o equivalente a três segundos para olhar a porta antes que aquilo acontecesse.

- Jean Patrick Lasteff? Descendente de Paddock? – perguntou uma velha de cabelos grisalhos parada na frente da porta de mogno.

- Co—co—Sim, sou eu. – respondo desistindo de perguntar como ela foi parar ali, a porta estava fechada novamente. Parece que eu pisquei e perdi tudo que aconteceu.

- O diretor o espera. – ela sai da frente e abre aquela porta enorme me mostrando o caminho.

Sem dizer nada, eu passo pela porta, ainda olhando desconfiado para tudo. Assim que entro, me sento na cadeira de frente a mesa onde era para estar o diretor. Como é de se esperar nesse colégio, o diretor não está lá.

- Olá, Jean Patrick. – diz uma voz grossa atrás de mm.

Eu me levanto e o cumprimento: - Olá.

- Não precisa ter medo. – ele diz com um risinho torto no canto da boca – Eu não sou um vilão galáctico e nem um carrasco.

- Co—co— - tento perguntar algo, mas ele não me deixa concluir a minha indagação.

- Há coisas muitas mais sombrias e desconhecidas nesse mundo afora que você pode imaginar. – ele diz então.

- Como bruxas, vampiros, monstros? – parece idiota a minha pergunta, mas é séria.

- Coisas mais obscuras, coisas nunca mensuradas ou que a sociedade tentou esconder. Por isso eu temo por vocês, méridoys.

- Vocês?

- Sim, eu já consegui quebrar a minha maldição. Por algum motivo o diretor nunca permanece como um méridoy.

- Estranho...

- Definitivamente, mas vamos ao que interessa. Todos os anos, um grupo de 10 alunos é escolhido para ir descobrir como acabar com a maldição. Isso você já deve saber. – ele me olha julgando.

- Sei sei.... Mas Enzo havia me dito que apenas os alunos do terceiro ano em diante poderiam fazer isso!

- E é verdade, mas esse ano nós abrimos uma exceção. Teremos um aluno do terceiro ano, um do quarto e os outros do primeiro. – eu o olho incrédulo – Eu sei que é arriscado, mas precisamos correr esse risco.

- Por que não colocar alunos de um ano mais avançado? Por que vocês têm de correr esse risco? Por que eu tenho de arriscar minha vida para isso? – eu me descontrolo, acho que exagerei um pouco.

- Jean Patrick, eu não estou lhe pedindo para fazer isso. Você e outros nove alunos VÃO fazer. O destino de vocês já foi traçado. Só depende de vocês mudarem o que vai ocorrer na viagem.

- O que vai ocorrer? Destino traçado? Como assim? Eu não to entendendo mais nada! Será que você poderia ser mais claro?

- Bom. Todos nós temos o nosso destino traçado ao nascer. O dos méridoys não é muito longo normalmente. Então é previsível as realizações deles durante a vida. – ele vai até a estante e pega um livro. – Aqui. O Livro do Destino mostra tudo que vai acontecer na sua vida, enquanto você for um méridoy. Os escolhidos para a missão são aqueles que o destino não aparece muito claro. Como o seu, por exemplo. Sabíamos que você ia vir para o colégio e conheceria Rebecca, mas depois disso – ele mostrou as páginas em branco do livro – não temos mais nada sobre você. Tudo que sabemos é o que já aconteceu. Você está tomando conta do seu destino.

- Quem são os outros nove? – pergunto sério.

- Você irá saber hoje, por volta das três da tarde. Venha até aqui nesse horário. Irei apresentar os 10 escolhidos.

- E se eu não vier? – pergunto atrevido.

- Você virá. – dito isso ele si vira e vai para uma sala atrás da sala dele.

Eu saio pela mesma porta que entrei. Olho para o relógio na parece de frente para mim. Meio dia. Vou para a cantina almoçar. No caminho um garoto loiro que eu não fazia ideia de quem era me parou.

- Você é que é Jean Patrick? – ele me perguntou.

- Sim, e você é? – digo meio assustado.

- Luke Clanchett. Entrei ontem no colégio.

- Seja bem vindo, Luke. O que você quer comigo? Ninguém me avisou que eu seria seu monitor nas primeiras semanas. Normalmente é o parceiro de quarto que lhe mostra o colégio, mas eu posso fazer isso se quiser.

- Não, obrigado. Já me mostraram o colégio. – ele olha mortalmente para mim. – Eu queria saber se você conhece Rebecca Laurevan.

- Conheço sim, ela fez iniciação comigo. Somos muito amigos. – pelo menos éramos.

- É sobre isso que eu quero falar – ele chega mais perto de mim – Não é nada pessoal, mas seria melhor pra você se não a visse mais. De preferência nem olhasse mais pra ela. Entendeu?

- E por que eu faria isso? – digo em tom muito, mas muito debochado.

- Porque eu sou capaz de fazer tudo para tê-la para mim. E se você não quiser sofrer conseqüências, é melhor escutar o meu conselho.

- Tudo bem. Mas eu sinto te informar que você não é o único que tem interesse em Rebecca.

- Então, teremos problemas. – ele faz como se fosse me dar um soco.

Por algum motivo, eu fui mais rápido que ele e desviei do soco que ele planejava me dar e dei um no seu queixo no lugar de apanhar. Ele cuspiu sangue e logo foi acudido por um grupo de garotos que não iam com a minha cara. Eu saí sem nem olhar para trás.

Eu precisava de alguma coisa muito forte agora. Não ia ser uma bebida que iria resolver. Eu queria poder ir ao sol. Sentir aquele calor natural esquentando a minha pele. Não me importaria de virar uma mulher agora. Eu só quero poder sentir essa liberdade. Poder esquecer de que eu tenho de viver na escuridão, imaginar que uma vez na vida eu sou normal. Tentar ver como é poder não ser o filho do ministro, o garoto especial, o herdeiro de Paddock. Ser simplesmente Jean Patrick. Não Lasteff, mas só JP. Eu vou fazer isso. Vou sentir como se nada pudesse entrar no meu caminho por alguns minutos.

Corro até o observatório astronômico, no alto da terceira torre do colégio. Normalmente essa sala só é aberta depois das onze horas, para que os casais possam admirar as estrelas, e outros alunos possam fazer seus trabalhos de astronomia. Mas há dias que ele não abre, pois o sol não desapareceu por completo. Não que hoje seja um dia que ela não vá abrir, mas agora, com toda certeza ela deve estar fechada. Afinal, é meio-dia. Não tenho esperanças de conseguir entrar lá, mas não custa tentar. Chegando à frente da porta da sala do observatório, eu giro a maçaneta. Por algum motivo hoje a sala está aberta e eu entro nela sem nenhuma dificuldade.

Estranho.

Aperto no botão para abrir o teto da sala. Lentamente consigo sentir os raios de sol tocar a minha pele. Sinto-me rejuvenescido. Tenho vontade de gritar de alegria. Essa sensação é ótima. Estou forte, estou alegre, estou feminino demais pro meu gosto... Lembro da única desvantagem do que eu acabei de fazer. Agora vou ter de ir para o almoço como uma mulher.

Não tem problema. Eu me sinto bem demais para deixar um detalhe me afetar.

No momento que eu entro na cantina vejo todos os olhares voltados para mim. Bem, voltados para o meu corpo perfeito e meus seios fartos, sem contar na minha bunda milimetricamente redonda e sensual. Agora eu entendo por que as garotas não gostam quando um monte de caras fica olhando pra elas e também entendo o que leva a algumas delas a adorarem essa sensação. Você se sente vulnerável, mas ao mesmo tempo poderosa. Todos aqueles bobões estão nos seus pés, é só dizer algumas palavras e eles são capazes de se matarem por você. O que eu to dizendo? Eu sou um menino, não quero outros caras babando por mim. Não até eu precisar de algo deles. Vejo Zoey correndo ao meu encontro, ela deve se apresentar para mim, como fez no dia que me conheceu. Adoro essa garota, ela é tão simpática e engraçada, é quase uma irmã para mim.

- Oi, JP! – disse ela quando parou na minha frente

Fiquei em estado de choque, como ela sabia que era eu? Essa garota tem algum poder sobre natural?

- Como você sabia que sou eu? – digo enquanto estamos indo para a mesa que costumamos sentar.

- Eu vejo a aura das pessoas. – ela diz na maior naturalidade e depois olha para mim. Eu a devolvo um olhar incrédulo. – Pode parecer estranho, mas é verdade. Cada pessoa tem uma áurea única. A sua é uma das mais brilhantes que eu conheço. A sua e daquela garota, Rebecca? É Rebecca. Vocês têm as auras mais iluminadas e brancas que eu já vi. Isso me inspira confiança. Eu não gosto daquela companheira de quarto de Rebecca, Michelle. A áurea dela é meio apagada. Isso não é um bom sinal. Mostra que ela é uma pessoa interesseira e falsa.

- A minha diz o quê? – eu chego mais perto dela, quase tocando os nossos narizes.

Ela não se afasta nem um milímetro nem parece intimidada com a minha proximidade. Simplesmente passa a falar baixo:

- Diz que você é uma pessoa confiável, boa, mas deve tomar cuidado com atitudes precipitadas. Principalmente quando está sob a forma de uma mulher. – ela então me afasta delicadamente.

Eu olho ao redor e todo mundo lá presente está olhando para a nossa mesa. Eles devem pensar que eu ia beijá-la ou algo assim. AAARG! Que horror, seria como beijar uma irmã! E eu tenho uma leve desconfiança que Zoey pense da mesma maneira.

Eu espero.

Decidimos matar as próximas aulas. Fomos para o quarto dela no alojamento feminino, como eu sou tecnicamente uma garota, não teve problema. Lá ficamos conversando até as três horas. Ela me conta que também foi chamada pelo diretor. Então dada à hora, vamos para o local combinado. Rimos durante todo o caminho comentando como os diretores sempre foram muito parecidos, incluindo que todos tinham cara de psicopatas. No final do corredor, ouvimos uma algazarra vinda da sala de espera. Devia haver umas 30 pessoas ali, ou mais. Consegui reconhecer algumas pessoas. Entre elas, Rebecca. Ela me olha no momento que eu chego. Parece um pouco espantada com a minha forma. Eu dou de ombros e rio torto para ela. Ela ri um pouco e vem na nossa direção.

- Eu vou deixá-los sozinhos. – disse Zoey quando vê Rebecca vindo para a nossa direção. – Juízo! – ela completa, já se afastando.

- Oi... – Rebecca diz quando chega. – Como devo chamá-lo quando você virar uma mulher?

Rimos da situação e eu respondo:

- Acho que Joanna seria ideal.

- Tudo bem, Joanna! E a que devo o prazer de sua companhia por aqui? – ela fala como se nada tivesse acontecido na noite anterior.

- O diretor me chamou, acho que vou levar uma bronca daquelas. – ela ri da minha cara de (des)preocupado

- Então estamos todos no mesmo barco. Enzo também está aqui. Ele disse que é estranho tantos alunos do primeiro ano sendo chamados para participar de uma reunião com o diretor. Eu disse a ele não nos subestimar só porque somos novos nisso daqui. – ela ri olhando para o chão.

- Rebecca, - eu assumo uma postura série que é estranha quando se está sobre uma forma feminina. – sobre ontem. Eu queria pedir desculpa se te apressei ou algo assim. Não quero perder sua amizade por nada.

- Tudo bem. Eu só quero que saiba que eu ainda não tomei nenhuma decisão, e não sei quando vou tomá-la. Eu gosto de você, Jean Patrick, muito, mas sinto que ainda não estou pronta para um compromisso sério desses.

- É por causa do Enzo e do Luke não é?! – digo indo direto ao ponto

- Também. Por favor, não me faça tomar uma decisão que eu não quero.

- Ok. Enquanto isso, só amigos?!

- Só amigos! – ela sorri – Os melhores!

Damos-nos um abraço e ela volta para as amigas dela do outro lado da sala. Eu ando a procura de Zoey. Reconheço outros rostos, como o de Enzo, Luke, Michelle e outras duas amigas de Rebecca. Tomei um susto quando vi Kristine e Jason, meus mentores.

- O que você fazem aqui? – pergunto a eles

- Ué?! – responde Kristine em tom jovial – Já virou mulher? Hahahaha Não conseguiu ficar longe do sol não é MOCINHA!

- Pare com isso Kristine. – disse Jason segurando a risada. – Jean Patrick, você deve ficar longe do sol. Você sabe disso!

- Sei, é que eu não pude controlar. Eu precisava daquilo.

- Entendo. – Jason parece realmente entender. – Mas não faça isso novamente.

Kristine solta uma risada tão alta e macabra que todo mundo se vira para olhar. Eu tento me esconder, mas parece que já fui visto. Demitrios vem em nossa direção.

- Parece que o jovem aqui teve alguns probleminhas com o sol. – ele coloca a mão no meu ombro.

- Não foi nada demais, eu só tenho de arrumar como voltar ao normal. – digo.

- Quando entrar na sala do diretor peça para ele lhe ajudar. Deve dá um jeito. – Demitrios conclui.

- Obrigada.

- Agora se vocês me dão licença, preciso conversar com Rebecca. Ver como andam as coisas por aqui.

- Claro. Vá, meu amigo. – Jason se despede de Demitrios.

Kristine ainda está tentando segurar o riso. Nessa altura, eu já estou pra perder a paciência com ela. Por sorte, Amelie aparece no exato momento que eu me aproximo para arrancar a cabeça da minha mentora bruxa de Blair e anuncia para nós entrarmos, SEM os mentores. Pelo menos uma boa notícia.

Entramos devagar, sem fazer muita algazarra. Lá dentro pude identificar todos os dez rostos presentes. Estávamos todos à espera do diretor. Eu (Joanna, no caso), Enzo, Rebecca, Michelle, Zoey, Rute, Miranda, Luke, Derek e Nathan, todos esperando um vilão intergaláctico entrar na sala. Sem demorar muito, ele entra e então pede para sentarmos nas cadeiras na frente dele. Sentamos na ordem que eu falei acima. Enzo me olhava como se nunca tivesse visto uma garota na vida. Principalmente depois que eu expliquei que Joanna era, na verdade, a versão feminina do seu melhor amigo, Jean Patrick, eu. Enzo ficou chocado com tudo isso. Depois do choque inicial ele ficou com brincadeirinhas pra cima de mim do tipo me chamando de gay ou de mulherzinha. E perguntou se eu já havia beijado um homem.

Francamente, Enzo não poderia ser mais infantil do que isso. Continuamos a conversar enquanto o diretor me preparava uma solução para eu voltar ao normal. Seria bom conversar com Enzo novamente como um garoto. Ignorando, claro, as brincadeiras que eu iria ouvir pelo resto da minha vida. O pior é que não posso zoar com Enzo pelo fato de ele virar um rato, pois pelo que vi, ele fica “fofo” e um monte de garotas gosta. Nunca vi garota gostar de rato, essa foi nova para mim.

- Aqui, Jean Patrick, beba tudo. – ele me estende um frasco de porcelana com um líquido verde borbulhante dentro.

Se ele espera que eu beba isso, está muito enganado. Eu olho para o diretor como se achasse que ele estava de brincadeira. Eu achava que ele estava de brincadeira, pra falar sério. Ele não responde apenas se senta em sua cadeira e espera que eu tome tudo. Luto comigo mesmo para beber toda aquela solução nojenta. Aquilo era Smeagle... Smirtilo... Sei lá qual era o nome daquele treco que meu pai me deu há dois meses... Era aquele treco esmagado coloca com água quente. Parece chá de naftalina. Não que eu tenha tomado alguma vez.

Todos na sala estão olhando para mim. Lentamente eu vou retomando meus traços masculinos. Finalmente, após 5 minutos, eu volto a ser um garoto. Isso é tão tranqüilizador. Olhos para os outros como se nada tivesse acontecido, alguns parecem surpresos com a minha transformação. Nathan, o garoto do quarto ano, estava especialmente surpreso. Presumo que ele já tenha visto muitas coisas na vida - ele já partiu uma vez em busca da cura, mas falhou e voltou para onde ele poderia se abrigar -, mas não deixou de ficar impressionado com a minha transformação. Não me importo o diretor também parece não se importar. Ele se vira para nós e fala como se nada tivesse acontecido.

- Boa tarde a todos. Espero que todos entendam bem inglês, pois aqui não será permitido a entrada de aparelhos tradutores. – ele repete essa frase em 10 idiomas, dos quais eu só identifiquei o italiano, russo, francês e espanhol.

Todos nós dissemos em uníssono e em um impecável inglês “sim”.

- Excelente. Então prestem atenção, o que tenho para explicar a vocês, pode ser de muito valor em um futuro próximo.

Todos nós o olhamos com total curiosidade, menos Derek. Ele parecia não se importar muito com o que estava por vir.

- Todos vocês sabem que a maldição foi resultante da sede de poder dos seus antepassados. Todos também devem saber que os descendentes deles vêem sofrendo as conseqüências desde então. – ele para por um minuto olhando para nós – Pois bem. Devo contar-lhes uma história que se passou décadas depois da maldição se concretizar. Quando os Lordes responsáveis já não vagavam mais entre nós.

Todos nós olhamos para ele curiosos. Pablo se levanta e pega dois grandes livros na estante. Não ousamos falar nada. Nathan aparentava estar ciente do que iria acontecer. Derek parecia não se importar nem um pouco. O resto de nós parecia que iria para a morte ou encontrar para resolver uma prova de química sem saber nada do assunto. Ou até mesmo viajar para os Estados Unidos junto com um terrorista no voo. Ou seja, estávamos apavorados.

- O que os pais de vocês ou mesmo os mentores não sabem é que foi descoberto algo mais forte que a maldição que pode acabar com essa. – todos nos mechemos nas cadeiras. Era impossível, fomos condenados ao nascer a sermos seres da escuridão. Ficou muito claro isso quando foi contada a nossa história. Pelo menos, era o que achávamos. Até mesmo Nathan parece surpreso ao ouvir isso. Pelo que parece, nem ele estava ciente dessa mudança.

– O que ocorreu – continuou Pablo - é que em 1551 o rei da Espanha, Filipe II foi contra tudo e todos de sua família e casou-se com a rainha da Inglaterra, Maria Tudor. Maria era muito impiedosa, de forma que tentou restabelecer o catolicismo como religião oficial da Inglaterra. Mais de 300 “hereges” foram mortos, o que deu a ela o codinome de Bloody Mary. O viúvo rei Filipe quando se casou com Maria, sabia de seu título de impiedosa e que ela era descendente de Catarina de Aragão, tia de seu antecessor, o Imperador Carlos V. Por esses motivos, ele passou a morar junto a Maria I, em Londres. Como era natural, ele levou alguns criados de sua corte na Espanha para a Inglaterra. A criadagem se relacionava muito bem, mesmo não falando o mesmo idioma. Para poderem conversar de forma que só os próprios criados poderiam entender eles criaram códigos de comunicação. Assim poderiam conversar e a ninguém saberia de que se tratavam as discussões. Tudo corria muito bem, até que uma das criadas espanholas, descendente de um antigo rei que caiu em desgraça e perdeu sua fortuna, apaixonou-se pelo filho do Lorde Paddock. Imaginem só como foi para a moça quando soube que o jovem lorde também estava interessado nela. Os dois cultivaram um amor secreto todas as noites, durante três meses. Foi então que a jovem curiosa perguntou a seu amado o motivo de eles não se verem durante o dia. “Tu não me amas o suficiente ou tens vergonha de mim por ser uma mera serviçal que nunca poderá lhe trazer ganhos na vida?”, ela perguntou a seu amado. “Não é nada disso minha doce flor.” Cameron, o filho de Lorde Paddock, tentou argumentar com sua amada sem contá-la seu segredo. “Se não é por vergonha, por que motivo seria? Conta-me agora, Cameron, ou nunca mais verás minha face neste país.” Ele tentou argumentar de todas as formas com a inflexível jovem, mas por fim, cedeu as suas súplicas e contou a ela sobre sua maldição. “Então é isso? Meu amado, dono do meu coração, prometo a ti que hei de descobrir como curar esse teu enfermo e então poderemos vagar juntos pela eternidade.” Dito isso a jovem partiu de volta para a Espanha, mesmo com todas as súplicas de seu amante, ela não desistiu da arriscada viagem. Foi até os confins de seu país até que consegui reunir informações o suficiente para quebrar a maldição.

Nós não acreditamos, nós estávamos inclinados na direção do diretor com os olhos arregalados e tomados pela aquela esperança de um dia voltar a ser normal. Era algo muito bom para ser cogitado e depois ficar em esquecimento. Senti como se não quiséssemos falhar no que quer que fosse pedido a nós. Pablo não nos deu tempo de verbalizar esses pensamentos, continuou a falar:

- Como sabem, ainda existe a maldição. Então é de se deduzir que algo falhou na missão da jovem apaixonada. Ela foi descoberta e sacrificada. – entramos em estado de choque. Todas as nossas esperanças se foram com a mesma facilidade que apareceram em nossos corações. Por que ele nos contaria uma história dessas para nos dar e depois tirar esse fio de esperança que nascia em nossos corações? Devia haver algo mais. Esperaríamos que ele concluísse para depois protestarmos sobre algo. – Só que sua morte não foi à toa. De alguma forma, ela conseguiu deixar sinais para os verdadeiros herdeiros dos lordes, principalmente de seu amado. – ele olhou para mim e para Zoey (acho). – Neste livro – ele pegou um grande livro de capa verde sem nada escrito nela e colocou em cima da mesa – vocês verão a profecia. Sim, a jovem mexia com magia, ela conseguiu outras pessoas que espalhassem suas pistas pelo mundo. À medida que vocês forem achando as soluções dos poemas ou charadas, nunca vi no livro, só os escolhidos conseguem ler, vocês irão recebendo novas e assim poderão encontrar a solução para o mistério. Aparentemente, é necessário um sacrifício. – ouviram-se suspiros de susto ou medo da sala – Não é nada certo, isso é o que os que conseguiram ler o livro, mas não tiveram sucesso em sua missão dizem. Espero que vocês não tenham o mesmo fim dos que falharam.

Ele para de falar por uns 10 segundos, que nos pareceram uma eternidade. Ninguém tinha coragem de suspirar um pouco mais alto nesse momento. Até o desinteressado Derek estava se mostrando bastante intrigado com tudo aquilo.

- Agora é com vocês. – ele nos olha mais compreensivo que antes – Conversarei com seus mentores sobre as novas aulas que vocês terão. Amanhã vocês receberão o novo horário. Entendam que vão trocar a noite pelo dia a partir de hoje. Então já para os seus quartos, quero todos às oito horas aqui. Estejam muito bem dispostos, não será nada fácil esse mês que vocês vão passar.

Ele nos dispensa. Saímos da sala sem falar nada. Cada um parte para seu dormitório sem conversar com ninguém. Até mesmo a enérgica Zoey não falou nada comigo, ela parece muito abalada. Talvez eu devesse falar com ela, mas não me sinto bem pra isso. Preciso dormir, foi muita informação para uma noite só.

 

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2 comentários:

Renata disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renata disse...

O texto ficou bem legal, mas depois da uma revisada nele porque ta com alguns errinhos de digitação que as vezes confunde e tal.

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